Filosofia da Mente e da Tecnologia

A pergunta que organiza tudo

“Máquinas pensam?” Alan Turing fez essa pergunta em 1950, antes de existir um único computador pessoal. Setenta e cinco anos depois, você conversa com uma máquina que parece pensar todo dia. Esta disciplina é sobre levar a pergunta a sério.

Por que um técnico ou engenheiro estuda filosofia?

Porque quem constrói e usa tecnologia toma decisões filosóficas o tempo todo, com ou sem perceber. Quando você diz que uma IA “entende”, “sabe” ou “alucina”, está usando conceitos que filósofos passaram séculos afiando. Saber pensar com clareza sobre isso é uma vantagem profissional concreta: você revisa melhor o que a IA produz, argumenta melhor as suas decisões e não cai em hype nem em pânico.

O que esta disciplina não é

Não é história da filosofia decorada, nem opinião solta de internet. É filosofia analítica aplicada à tecnologia: argumentos claros, distinções precisas e a coragem de discordar com fundamento. O eixo é a IA, porque é o tema onde mente, conhecimento, linguagem e ética se encontram hoje.


Disciplina dinâmica

Não dá tempo de ver tudo. Escolhemos juntos a trilha conforme o interesse da turma. As quatro partes abaixo são independentes o suficiente para entrar em qualquer ordem.


📚 Conteúdo da Disciplina

Parte 1: Máquinas pensam? (Filosofia da Mente)

O coração da disciplina. Se uma máquina se comporta como se pensasse, ela pensa de verdade? O que é “pensar”, afinal?

Parte 2: O que a IA sabe? (Epistemologia)

A IA “sabe” alguma coisa, ou só prevê a próxima palavra? O que separa informação de ruído, e verdade de invenção convincente?

Parte 3: Pensar bem (Pensamento Crítico e Argumentação)

A competência transversal mais valiosa: construir um bom argumento, diagnosticar um argumento alheio e não se deixar enganar. Vale para a vida, para o trabalho e para revisar o que a IA te entrega.

  • Anatomia de um Argumento - O que é um argumento de verdade (não é briga), a diferença entre validade e verdade, e o catálogo das falácias mais comuns (Weston)

Parte 4: Ética da Tecnologia

Quem é responsável quando a IA erra? Persona digital pode enganar? Automação e vigilância são neutras?


🧰 Como vamos trabalhar

Método

Cada aula parte de um caso concreto de IA que você já conhece (ChatGPT, recomendação de vídeos, carro autônomo) e sobe daí para o conceito. Discussão vale mais que slide. Discordar com argumento é o objetivo, não o erro.

Habilidade que você levaOnde se usa no mundo real
Distinguir simular de entenderAvaliar até onde confiar numa IA
Separar validade de verdadeRevisar relatório, código ou laudo gerado por IA
Identificar faláciasDebate, negociação, leitura de notícia
Mapear um argumentoDefender um projeto, escrever um TCC
Pensar responsabilidadeProjetar sistema que afeta pessoas

Leituras de referência

A bibliografia completa, com níveis de confiabilidade, fica em cada aula. As fontes-âncora da disciplina são Alan Turing (1950), John Searle (1980), Daniel Dennett (1987), David Chalmers (1995), Luciano Floridi (2010), Anthony Weston (1987), Hans Jonas (1979) e Shoshana Zuboff (2019).