Glossário de Engenharia de Software com IA
Como usar
Referência rápida de todos os termos modernos vistos na disciplina (e os que você vai encontrar em vagas, artigos e comunidades). Termos em inglês são mantidos: é assim que o mercado usa.
🗺️ Mapa dos conceitos
Como os termos se conectam
O glossário é A-Z, mas as ideias se agrupam em famílias. Use este mapa para enxergar o todo antes de mergulhar nos termos.
mindmap root((Eng. de Software<br/>com IA)) Agentes Agente Multi-agente Subagente Orquestração Contexto Context engineering Context window RAG Memória Padrões MCP AGENTS.md Spec-driven Riscos Alucinação Slopsquatting Prompt injection Avaliação Eval Benchmark SWE-bench
| Categoria | Termos-chave |
|---|---|
| 🤖 Agentes | Agente, Agentic coding, Multi-agente, Subagente, Background agent, Orquestração, Workflow agêntico |
| 🧠 Contexto | Context engineering, Context window, Context rot, RAG, Memória, Embedding |
| 🔌 Padrões e protocolos | MCP, AGENTS.md, CLAUDE.md, Spec, Spec-driven development |
| ⚠️ Riscos e segurança | Alucinação, Slopsquatting, Prompt injection, Slop, Guardrails, Sandbox, Jailbreak |
| 📊 Modelos e avaliação | LLM, Reasoning model, Frontier model, Benchmark, SWE-bench, Eval, Token |
| 🛠️ Prática de dev | Vibe coding, Pair programming, TDD, Refactoring, Scaffolding, Diff, PR, Worktree |
📖 Glossário A-Z
A
- Agente (AI agent): LLM rodando em loop com acesso a ferramentas (editar arquivos, rodar comandos, navegar). Planeja → executa → observa → corrige, até concluir a tarefa.
- Agentic coding / Agentic engineering: desenvolvimento profissional dirigindo agentes: specs claras, contexto curado, checkpoints de revisão e testes como contrato. Sucessor do vibe coding. Ver Vibe Coding e Engenharia Agêntica.
- AGENTS.md: padrão aberto (2025) de arquivo Markdown na raiz do repositório com instruções para agentes: comandos de build/teste, convenções, restrições. Governado por fundação ligada à Linux Foundation.
- AI-assisted development: termo guarda-chuva para qualquer uso de IA no desenvolvimento (do autocomplete ao agente autônomo).
- AI-native: projeto/equipe/produto desenhado desde o início assumindo IA no fluxo (em oposição a “adicionamos IA depois”).
- Alucinação (hallucination): o modelo gera informação falsa com aparência confiável: APIs inexistentes, parâmetros inventados, fatos errados.
- Autocomplete (code completion): nível 1 de autonomia, sugestão de código enquanto você digita (Copilot clássico, Cursor Tab).
B
- Background agent: agente que trabalha na nuvem, sem supervisão em tempo real, ligado ao repositório: pega issues, abre PRs prontos (Devin, Codex cloud, Jules).
- Benchmark: medida padronizada de capacidade de modelos. Para código, os mais citados: SWE-bench (resolver issues reais do GitHub) e Terminal-Bench (tarefas de terminal).
- Boilerplate: código repetitivo de estrutura (configurações, CRUD básico), o primeiro tipo de código que a IA eliminou do trabalho manual.
C
- Chain-of-thought (CoT): técnica de fazer o modelo “pensar em voz alta”, em passos, antes de responder. Melhora muito problemas de lógica, código e matemática.
- Checkpoint / Human-in-the-loop (HITL): ponto do fluxo agêntico em que o humano revisa e aprova antes do agente continuar. A prática central da engenharia agêntica.
- CLAUDE.md: arquivo de contexto durável do Claude Code (mesma ideia do AGENTS.md): regras, comandos e convenções que o agente lê em toda sessão.
- Code review com IA: primeira passada de revisão automática em PRs (CodeRabbit, Copilot review). Complementa, não substitui, o review humano.
- Context engineering (engenharia de contexto): a disciplina de selecionar e estruturar tudo que entra na janela de contexto do modelo (instruções, código, docs, ferramentas, memória). Considerada a habilidade nº 1 do desenvolvimento com IA em 2026. Ver Engenharia de Contexto e Spec-Driven Development.
- Context rot: degradação da qualidade das respostas quando a janela de contexto enche de informação irrelevante ou conversa longa demais.
- Context window (janela de contexto): quantidade máxima de tokens que o modelo “enxerga” de uma vez (em 2026: de ~128k a 1M+ tokens, codebases inteiras).
- Prompt caching (cache de contexto): reaproveitar partes fixas do contexto (system prompt, docs) entre chamadas para reduzir custo e latência.
D-E
- Destilação (distillation): treinar um modelo menor a partir de um maior, para ter qualidade parecida com custo e latência muito menores.
- Diff: a diferença entre versões de código. Revisar o diff (não o arquivo inteiro) é como se revisa trabalho de agente.
- Dívida técnica: custo futuro de decisões rápidas no presente. A IA pode pagar (refatorando) ou multiplicar (gerando código aceito sem revisão). Ver Boas Práticas e Riscos da IA no Desenvolvimento.
- Embedding: representação numérica (vetor) de texto/código que captura significado, base de buscas semânticas e RAG.
- Eval: teste automatizado do comportamento da IA (não do software): mede se o modelo/agente resolve um conjunto de tarefas. “Escrever evals” virou trabalho de engenheiro.
F-H
- Few-shot / Zero-shot: prompting com alguns exemplos / sem exemplos.
- Fine-tuning: re-treinar um modelo base com dados específicos para especializá-lo. Caro; em geral RAG ou contexto resolvem antes.
- Frontier model (modelo de fronteira): os modelos mais capazes do momento, no limite do estado da arte (a “linha de frente” que define o que é possível).
- Function calling / Tool use: capacidade do modelo de chamar ferramentas (funções, APIs) em vez de só gerar texto, o mecanismo que torna agentes possíveis.
- Guardrails: restrições técnicas que limitam o que o agente pode fazer (permissões, sandboxes, listas de comandos bloqueados).
I-L
- Inferência (inference): o ato de executar o modelo para gerar uma resposta (em oposição ao treinamento).
- Jailbreak: truque de prompt que tenta burlar as regras de segurança do modelo para fazê-lo produzir o que não deveria. Parente do prompt injection.
- LLM (Large Language Model): modelo de linguagem de grande escala treinado para prever texto, a tecnologia base de tudo nesta disciplina (Claude, GPT, Gemini, DeepSeek…).
- Lock-in: dependência de um fornecedor. Padrões abertos (MCP, AGENTS.md) existem para reduzi-lo.
- LoRA (Low-Rank Adaptation): técnica de fine-tuning barata, que ajusta só uma fração dos pesos do modelo em vez de re-treinar tudo.
- Low-code / No-code: plataformas de desenvolvimento com pouco/nenhum código. Os app builders de IA (Lovable, Bolt) são a geração 2026 dessa ideia.
M-O
- MCP (Model Context Protocol): protocolo aberto que padroniza a conexão entre modelos e ferramentas/dados externos, o “USB-C da IA”. Ver Engenharia de Contexto e Spec-Driven Development.
- Memória (de agente): mecanismo de persistir aprendizados entre sessões (arquivos de memória, bancos vetoriais), o agente “lembra” do projeto.
- Mixture of Experts (MoE): arquitetura em que só uma parte do modelo (alguns “especialistas”) é ativada por consulta, dando modelos enormes com custo de execução menor.
- Multi-agente: arquitetura com vários agentes cooperando: orquestrador + especialistas (pesquisa, implementação, teste, review), possivelmente em paralelo.
- MVP (Minimum Viable Product): versão mínima de um produto que permite aprender com usuários reais. Ver Criação Rápida de MVPs.
- One-shot: gerar o resultado completo em uma única interação (“one-shotei o app” = saiu de primeira).
- Open-weight / Open-source model: modelo cujos pesos são públicos (Llama, DeepSeek, Qwen), você pode rodar localmente (ver Ollama - gerenciamento de modelos de IA) e adaptar.
- Orquestração: coordenar múltiplos agentes/etapas num fluxo de trabalho, o novo trabalho do desenvolvedor sênior.
P-R
- Pair programming com IA: trabalhar lado a lado com a IA como par (o “navegador” que nunca cansa). Evolução do pair programming do XP.
- Prompt: a instrução dada ao modelo.
- Prompt engineering: técnica de escrever prompts eficazes (zero-shot, few-shot, chain-of-thought…). Continua útil, mas foi superada em importância pelo context engineering.
- Prompt injection: ataque em que instruções maliciosas escondidas nos dados que o agente lê tentam sequestrar seu comportamento. O risco de segurança nº 1 da era agêntica (OWASP LLM01). Ver Boas Práticas e Riscos da IA no Desenvolvimento.
- PR (Pull Request): proposta de mudança de código para revisão, a unidade de entrega dos agentes modernos.
- Quantização (quantization): reduzir a precisão numérica dos pesos do modelo (ex.: de 16 para 4 bits) para ele rodar em máquinas modestas, com pequena perda de qualidade.
- RAG (Retrieval-Augmented Generation): arquitetura em que o sistema busca informação relevante (docs, código, base de conhecimento) e a injeta no contexto antes de gerar a resposta. Como construir produtos de IA que conhecem seus dados.
- ReAct (Reasoning + Acting): padrão em que o agente alterna entre raciocinar e agir (usar ferramentas), passo a passo, a base de muitos agentes.
- Reasoning model (modelo de raciocínio): geração de modelos (2024+) que “pensam” antes de responder, gastando mais computação em problemas difíceis, muito mais fortes em código e matemática.
- Red teaming: testar um sistema de IA de propósito, tentando quebrá-lo (jailbreaks, injections, abusos), para achar falhas antes do atacante.
- Refactoring (refatoração): melhorar a estrutura do código sem mudar seu comportamento, tarefa em que agentes brilham (com testes como rede).
S
- Sandbox: ambiente isolado onde o agente pode executar código sem riscos ao sistema real.
- Scaffolding: gerar a estrutura inicial de um projeto (pastas, configs, esqueleto), trabalho de segundos para um agente.
- Semantic search (busca semântica): buscar por significado, não por palavra exata, usando embeddings. O motor de busca do RAG.
- Skill / Slash command: workflow reutilizável empacotado que o agente executa sob demanda (
/deploy,/review-pr). - Slop (AI slop): conteúdo/código gerado por IA em massa, verboso e de baixa qualidade, aceito sem revisão.
- Slopsquatting: ataque de supply chain que registra pacotes com nomes que LLMs costumam alucinar, esperando devs instalarem. Ver Boas Práticas e Riscos da IA no Desenvolvimento.
- Spec (especificação): documento que define o que construir, com critérios verificáveis.
- Spec-driven development (SDD): metodologia em que a spec é o artefato central: requirements → design → tasks → implementação por agentes (Kiro, GitHub Spec Kit). Ver Engenharia de Contexto e Spec-Driven Development.
- Structured output (saída estruturada / JSON mode): forçar o modelo a responder num formato fixo (JSON com esquema), essencial para integrar IA com código de verdade.
- Subagente: agente auxiliar disparado por outro agente para uma subtarefa isolada (pesquisar, explorar código), preservando o contexto principal.
- SWE-bench: o benchmark mais citado para agentes de código: resolver issues reais de repositórios do GitHub.
- System prompt: as instruções fixas que definem identidade e regras do modelo/agente, a primeira camada de contexto.
T-Z
- TDD (Test-Driven Development): testes antes do código. Na era da IA, virou modo de dirigir agentes: você escreve os testes (o contrato), o agente implementa até passar.
- Temperatura (temperature): parâmetro que controla o quão “criativa” ou aleatória é a resposta. Baixa = previsível e factual; alta = variada e inventiva.
- Token: unidade mínima de texto para o modelo (~3/4 de uma palavra). Define custos e limites de contexto.
- Tool use: ver Function calling.
- Vector database (banco vetorial): banco de dados que guarda embeddings e acha os mais parecidos rapidamente (Pinecone, Chroma, pgvector). A memória de longo prazo do RAG.
- Vibe coding: programar descrevendo em linguagem natural e aceitando o código gerado sem revisar tudo (Karpathy, fev/2025). Ótimo para protótipos; perigoso em produção. Ver Vibe Coding e Engenharia Agêntica.
- Workflow agêntico: sequência estruturada de etapas executadas por agentes com pontos de verificação (determinístico onde importa, autônomo onde é seguro).
- Worktree: cópia isolada do repositório Git que permite a vários agentes trabalharem em paralelo sem conflito.
🧪 Atividade: ache os termos no mundo real
- Abra uma vaga de desenvolvedor (LinkedIn, Gupy) ou o README de um projeto de IA no GitHub.
- Marque 5 termos deste glossário que aparecem lá.
- Pegue 1 termo que você não conhecia, leia a definição e explique em voz alta (pra alguém ou pra você mesmo) sem olhar.
- Resultado observável: sua lista dos 5 termos + a frase explicando o novo.
📚 Fontes e referências oficiais
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