Introdução à Segurança da Informação

🌍 O mundo sob ataque: agora, ao vivo

Enquanto você lê esta frase, o planeta está sob ataque

Não é força de expressão: milhares de ataques cibernéticos disparam pelo mundo a cada segundo. E dá pra assistir acontecendo, em tempo real.

🗺️ Mapa de ataques em tempo real, veja com seus próprios olhos (cada disparo é um ataque acontecendo agora):

Mapa de ameaças em tempo real da Kaspersky, o Brasil costuma aparecer entre os países mais atacados. Abra a versão AO VIVO nos links abaixo 👇

Abra um destes em tela cheia e observe por 30 segundos

Escolha um disparo e tente responder: de onde sai? para onde vai? que tipo de ataque é?

Mapa ao vivoO que mostra
🌍 Kaspersky Cyberthreat MapO clássico: um globo 3D girando com infecções em tempo real
💥 Digital Attack MapAtaques de DDoS pelo mundo (Google Jigsaw + Arbor)
🔥 Fortinet Threat MapFluxo de ataques entre países, ao vivo
🛡️ Check Point ThreatMapAtaques e os países mais visados hoje
🦠 Bitdefender Threat MapGlobo de infecções e spam em tempo real
📡 Radware Live Threat MapAtaques por tipo e região

🔎 Bônus: Shodan, o "Google" dos dispositivos expostos

O Shodan é um buscador que indexa dispositivos ligados à internet, servidores, roteadores, câmeras, até sistemas industriais. Busque por webcam, port:554 ou country:BR e veja quantos milhares aparecem expostos ao mundo inteiro, neste momento. ⚠️ Regra de ouro (ética e lei): você pode observar e contar, nunca acessar o dispositivo de outra pessoa, invadir dispositivo alheio é crime no Brasil (art. 154-A do Código Penal, a “Lei Carolina Dieckmann”). Quer um alvo seguro pra treinar o olhar? Veja o que o Shodan sabe do seu próprio IP: acesse shodan.io e clique em “My IP”.

🎬 Parece ficção científica, mas aconteceu de verdade:

timeline
    title Ataques reais que mudaram a história
    2010 : Stuxnet destrói centrífugas nucleares no Irã
    2015 : Hackers controlam um Jeep em movimento pela internet (freios e direção)
    2016 : Mirai usa câmeras domésticas e derruba Twitter, Netflix e Spotify
    2017 : WannaCry paralisa hospitais e fábricas no mundo todo em horas
    2021 : Colonial Pipeline para e causa falta de combustível nos EUA

🇧🇷 E não é só "lá fora", é com você

Em janeiro de 2021, um vazamento expôs dados de mais de 223 milhões de brasileiros (CPF, nome, salário, foto), mais do que a população viva do país. O seu CPF provavelmente está num vazamento agora mesmo, você confere isso na Atividade 1, logo abaixo. É exatamente por isso que a LGPD existe e por que esta disciplina é sobre você, não só sobre “as empresas”.


Sobre esta aula

Esta é a base de toda a disciplina. Aqui construímos o vocabulário e os princípios que vamos usar o semestre inteiro: o que é segurança, o que protegemos, contra o quê, e como. Cada conceito vem com uma atividade prática, segurança se aprende fazendo.

O que você vai dominar nesta aula

  • O que é Segurança da Informação (e o que não é)
  • A Tríade CID (Confidencialidade, Integridade, Disponibilidade) e os princípios estendidos
  • O quarteto Ativo → Ameaça → Vulnerabilidade → Risco
  • O panorama atual de ameaças (2025-2026)
  • Defesa em profundidade e tipos de controle
  • Os frameworks e normas que organizam a área (ISO 27001, NIST CSF 2.0, LGPD)
  • O ciclo de resposta a incidentes

🎯 Por que isso importa agora?

A informação virou o ativo mais valioso (e mais atacado) do mundo

Não é exagero acadêmico. É o cenário real de 2025-2026.

Indicador (2025)NúmeroO que significa
Phishing como vetor inicial~60% das invasõesA maioria dos ataques começa enganando uma pessoa, não quebrando uma máquina
Phishing turbinado por IA generativa+1.265%E-mails de golpe ficaram convincentes e em escala industrial
Taxa de sucesso do phishing com IA~60%Quase 4× mais eficaz que o phishing tradicional
Ransomware no pós-invasão83,5% dos códigos maliciososSequestro de dados domina o crime digital
Custo médio de um ataque de ransomware> US$ 1,18 milhãoImpacto financeiro direto e brutal
Setor público como alvo38,2% dos incidentesInstitutos, prefeituras e escolas estão na linha de frente

E no Brasil? A LGPD entrou na conta

A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) tornou a segurança da informação uma obrigação legal. Vazar dados pessoais pode gerar multa de até 2% do faturamento (limitada a R$ 50 milhões por infração), além do dano à reputação. Segurança deixou de ser “problema de TI” e virou problema de gestão e de lei.

🧪 Atividade 1: Termômetro de exposição

  1. Acesse Have I Been Pwned e digite seu e-mail. Anote em quantos vazamentos ele apareceu e quais dados (senha, telefone, etc.) foram expostos em cada um.
  2. Em Pwned Passwords, teste uma senha que você já usou (nunca a atual!). Quantas vezes ela já apareceu em vazamentos?
  3. Clique em “Notify me” e cadastre o e-mail para ser avisado automaticamente de futuros vazamentos.

Fontes dos dados


🧩 O que é Segurança da Informação?

Definição

Segurança da Informação é o conjunto de práticas, processos e tecnologias que protegem a informação contra acesso, alteração, destruição ou indisponibilidade não autorizados, em qualquer forma que ela exista (digital, impressa, falada).

Um erro comum é achar que segurança é só firewall e antivírus. Na verdade, ela se apoia em três dimensões que precisam andar juntas:

flowchart LR
    SI{{"Segurança da Informação"}}
    SI --- P["👤 Pessoas<br/>conscientização, cultura, treino"]
    SI --- PR["⚙️ Processos<br/>políticas, normas, procedimentos"]
    SI --- T["💻 Tecnologia<br/>firewall, criptografia, antivírus"]

A informação tem um ciclo de vida, e cada etapa precisa de proteção

A informação não fica parada. Ela nasce, é guardada, trafega, é usada e um dia é descartada.

flowchart LR
    A([Criação]) --> B([Armazenamento])
    B --> C([Transmissão])
    C --> D([Uso / Processamento])
    D --> E([Descarte])

E em qualquer instante ela está em um de três estados, cada um com ameaças típicas:

EstadoOnde estáAmeaça típicaProteção típica
Em repousoDisco, banco de dados, backupRoubo de dispositivo, acesso ao bancoCriptografia de disco
Em trânsitoRede, Wi-Fi, internetInterceptação (sniffing), MITMTLS/HTTPS, VPN
Em usoMemória RAM, telaMalware, “ombro espião” (shoulder surfing)Controle de acesso, tela bloqueada

🧪 Atividade 2: Caçando o dado nos 3 estados (DevTools)

Abra um site qualquer (ex.: o portal do IFF) e aperte F12 para abrir as Ferramentas de Desenvolvedor:

  1. Em trânsito: aba Network → recarregue (F5) → clique numa requisição e confirme em Headers que a URL é https:// (cifrado).
  2. Em repouso: aba Application (ou Armazenamento) → Cookies e Local Storage. Que dados o site guardou na sua máquina?
  3. Dê um print de cada estado e responda: qual desses dados vazaria se roubassem seu notebook desbloqueado?

🔐 A Tríade CID: os três pilares

A base de tudo

Toda a segurança da informação se apoia em três pilares conhecidos como Tríade CID: Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade. Em inglês: CIA Triad (Confidentiality, Integrity, Availability).

A Tríade CID

flowchart TD
    CID{{"Tríade CID"}}
    CID --- C["🔒 Confidencialidade<br/>Quem pode ver?"]
    CID --- I["✅ Integridade<br/>Os dados estão corretos?"]
    CID --- D["📡 Disponibilidade<br/>Está acessível quando preciso?"]

A regra de ouro

Um sistema só é seguro quando os três pilares são respeitados ao mesmo tempo. Quebrou um, houve incidente de segurança.


🔒 Confidencialidade

Protegendo o acesso

Garante que a informação só seja acessada por quem tem autorização. É o oposto de “vazamento”.

Como se garante:

  • Criptografia de dados sensíveis (em repouso e em trânsito)
  • Controle de acesso (senha, biometria, MFA)
  • Classificação da informação: público, interno, confidencial, secreto
  • Princípio do menor privilégio (cada um vê só o que precisa)

Ameaças à confidencialidade: interceptação de comunicações · acesso não autorizado · engenharia social · “ombro espião”.

🧪 Atividade 3: Cifre um segredo de verdade

  1. Acesse devglan AES, escreva uma mensagem secreta, defina uma senha (chave) e clique em Encrypt.
  2. Copie o texto cifrado e mande para um colega sem a senha, ele consegue ler? Agora passe a chave e peça para ele decifrar.
  3. No terminal (bônus): echo "senha do meu wifi" | openssl enc -aes-256-cbc -a -pbkdf2. Depois decifre com a flag -d. Erre a senha de propósito: o que acontece?

✅ Integridade

Garantindo que o dado não foi adulterado

Garante que a informação não foi alterada de forma indevida, seja por ataque, erro ou falha. O dado que chega é idêntico ao que saiu.

Hashes: a "impressão digital" do arquivo

Uma função hash (ex.: SHA-256) transforma qualquer arquivo em um código de tamanho fixo. Mudou 1 bit do arquivo, o hash muda completamente. É assim que se verifica integridade na prática.

🔧 Ferramenta: SHA-256 File Checksum (online)

Onde aparece: verificar se um download corrompeu · garantir que logs não foram alterados · assinaturas digitais · blockchain.

Ameaças à integridade: modificação não autorizada de dados · injeção de código malicioso · corrupção de arquivos · ataques man-in-the-middle.

🧪 Atividade 4: Veja o hash mudar e valide um download

  1. Crie um arquivo de texto com a frase Seguranca da informacao e gere o SHA-256 dele, no site SHA-256 Checksum ou no terminal: sha256sum arquivo.txt (Linux/Mac) · Get-FileHash arquivo.txt (PowerShell).
  2. Troque uma única letra e gere de novo. Quantos caracteres do hash mudaram?
  3. Na vida real: vá à página de download de uma distro Linux (ex.: Ubuntu) que publica o hash oficial e compare com o hash do arquivo. Bateu? Por que isso garante que ninguém adulterou o instalador?

📡 Disponibilidade

Acesso quando se precisa

Garante que a informação e os sistemas estejam disponíveis sempre que requisitados por quem tem direito. De nada adianta um dado secreto e íntegro se ninguém consegue acessá-lo na hora da necessidade.

Como se garante:

  • Redundância de sistemas (servidores em paralelo)
  • Backups regulares e testados
  • Plano de recuperação de desastres (DRP)
  • Proteção contra DDoS

Ameaças à disponibilidade: ataques de negação de serviço (DoS/DDoS) · falhas de hardware · desastres naturais · ransomware (sequestra e torna o dado indisponível).

🧪 Atividade 5: Testar disponibilidade e fazer um backup real

  1. Veja se um serviço está no ar de vários lugares do mundo: acesse check-host.net, cole uma URL e compare os tempos de resposta por país.
  2. Faça um backup e restaure: no terminal, tar -czf backup.tar.gz suapasta/ (ou copie a pasta para um pendrive/nuvem). Apague um arquivo da pasta original e restaure-o do backup. Funcionou?
  3. Compare ping -c 4 8.8.8.8 com ping -c 4 site-que-nao-existe-123.abc. Como o terminal mostra “disponível” vs “indisponível”?

📊 CID em uma tabela

PilarPergunta-chaveGarante que…Ameaça principalDefesa típica
ConfidencialidadeQuem pode ver?só autorizados acessamVazamento de dadosCriptografia, MFA
IntegridadeO dado está correto?nada foi adulteradoModificação indevidaHash, assinatura digital
DisponibilidadeEstá acessível?está no ar quando precisoIndisponibilidade (DDoS)Backup, redundância

O equilíbrio é uma decisão de engenharia

Os três pilares competem entre si. Reforçar um pode enfraquecer outro:

  • + Confidencialidade (mais controles, mais senhas) → − Disponibilidade (mais lento, mais atrito)
  • + Disponibilidade (acesso fácil, sem barreiras) → − Confidencialidade (mais exposto)

Segurança é, no fundo, a arte de balancear esses três pilares de acordo com o valor do que se protege.

🧪 Atividade 6: Meça o custo da segurança

Sinta na prática o trade-off entre confidencialidade e usabilidade/disponibilidade:

  1. Ative a verificação em duas etapas (2FA) numa conta real sua (e-mail, Instagram), usando o app Google Authenticator ou Authy.
  2. Cronometre o login antes e depois. Quantos segundos a mais a segurança custou?
  3. Conclua: esse atrito compensa? Para a conta do seu banco, a resposta muda?

➕ Além da CID: princípios estendidos

A tríade CID é o núcleo, mas a segurança moderna trabalha com princípios complementares, formalizados em normas como a ISO/IEC 27000:

PrincípioO que garanteExemplo
AutenticidadeA informação vem de uma fonte verificável e é genuínaAssinatura digital prova quem escreveu o e-mail
Não-repúdio (irretratabilidade)Quem fez uma ação não pode negar que a fezLog assinado prova que o usuário X aprovou a transação
Legalidade / ConformidadeA informação é tratada conforme a lei (LGPD, ISO)Coletar dados só com base legal e consentimento
Posse / ControleControle sobre onde o dado está (mesmo cifrado)Pendrive perdido = perda de posse, mesmo sem leitura
UtilidadeO dado está em formato utilizávelBackup cifrado sem a chave = inútil

Da tríade CID ao "Hexágono de Parker"

Confidencialidade + Integridade + Disponibilidade + Posse + Autenticidade + Utilidade formam o Parkerian Hexad, uma extensão usada quando a CID “não dá conta” de explicar certos incidentes.

AAA: o tripé do controle de acesso

Na prática, controle de acesso se organiza em três perguntas (em inglês, AAA):

flowchart LR
    U[👤 Usuário] --> A1["Autenticação<br/>Quem é você?"]
    A1 --> A2["Autorização<br/>O que você pode fazer?"]
    A2 --> A3["Auditoria<br/>O que você fez?"]

🧪 Atividade 7: Verifique autenticidade na prática

  1. Certificado (autenticidade da conexão): abra o site do seu banco, clique no cadeado ao lado da URL → Certificado / Conexão segura. Quem emitiu o certificado? Para qual domínio vale? Até quando?
  2. Assinatura digital (autenticidade + não-repúdio): vá ao Validador de Assinaturas do gov.br e suba um PDF assinado digitalmente. Veja o sistema provar quem assinou e que o arquivo não foi alterado depois.

🧠 O quarteto fundamental: Ativo, Ameaça, Vulnerabilidade e Risco

O vocabulário que organiza a área toda

Antes de defender, é preciso nomear. Estes quatro conceitos aparecem em toda a segurança da informação.

ConceitoDefiniçãoExemplo
Ativo (asset)Algo de valor que se quer protegerBanco de dados de alunos, servidor, reputação
Ameaça (threat)Evento ou agente que pode causar danoHacker, malware, incêndio, funcionário descuidado
Vulnerabilidade (vulnerability)Fraqueza que a ameaça pode explorarSenha fraca, software desatualizado, falta de backup
Risco (risk)Probabilidade × impacto de a ameaça explorar a vulnerabilidade”Alta chance de ransomware criptografar tudo”
Controle (control)Medida que reduz o riscoAntivírus, backup, treinamento, firewall

A relação entre eles é o coração da gestão de risco:

flowchart LR
    AM["⚠️ Ameaça"] -->|explora| VU["🕳️ Vulnerabilidade"]
    VU -->|expõe| AT["💎 Ativo"]
    AM -->|gera| RI["🎲 Risco"]
    RI -->|incide sobre| AT
    CO["🛡️ Controle"] -->|reduz| RI
    CO -->|corrige| VU

A "equação" do risco

O risco não é um número exato, mas pensar nele como uma fórmula ajuda a priorizar:

Por isso priorizamos riscos numa matriz: tratamos primeiro o que é provável E grave.

quadrantChart
    title Matriz de Risco
    x-axis Baixa probabilidade --> Alta probabilidade
    y-axis Baixo impacto --> Alto impacto
    quadrant-1 Critico tratar ja
    quadrant-2 Alto planejar
    quadrant-3 Baixo monitorar
    quadrant-4 Medio mitigar
    Ransomware: [0.72, 0.92]
    Phishing: [0.85, 0.6]
    Falha de HD: [0.35, 0.7]
    Spam: [0.65, 0.18]

🧪 Atividade 8: Cace uma vulnerabilidade real (CVE)

  1. Escolha um software que você usa (navegador, sistema, um app) e descubra a versão exata dele.
  2. Pesquise essa versão em CVE Details ou na base NVD do NIST. Ela tem vulnerabilidades conhecidas (CVE)? Qual a mais grave (nota CVSS)?
  3. Monte a mini-análise: Ativo = o software · Vulnerabilidade = a CVE achada · Controle = a correção (em geral, atualizar). Onde esse risco cai na matriz acima?

⚔️ Panorama de Ameaças

Exemplo real e clássico de phishing: e-mail do falso "TrustedBank". Repare nos erros de escrita e no link suspeito.

O ataque mais comum não é técnico, é psicológico

A engenharia social manipula pessoas para que entreguem acesso ou informação. O phishing é sua forma mais comum, e hoje é gerado em escala por IA.

mindmap
  root((Ameaças))
    Malware
      Vírus
      Worm
      Trojan
      Ransomware
      Spyware
    Engenharia Social
      Phishing
      Spear phishing
      Pretexting
      Baiting
    Ataques de Rede
      DoS e DDoS
      Man-in-the-Middle
      Sniffing
    Aplicacao Web
      SQL Injection
      XSS
      Zero-day
    Ameaca Interna
      Insider mal-intencionado
      Erro ou descuido
CategoriaAmeaçaComo funciona (resumo)
MalwareRansomwareCifra os dados da vítima e exige resgate
TrojanPrograma “útil” que esconde código malicioso
SpywareEspiona e rouba informações silenciosamente
Engenharia socialPhishingE-mail/mensagem falsos induzem a clicar ou entregar senha
Spear phishingPhishing personalizado para um alvo específico
RedeDDoSSobrecarrega o serviço até ele cair (ataca disponibilidade)
MITMAtacante se põe “no meio” da comunicação e a intercepta
AplicaçãoSQL InjectionInjeta comandos no banco via campos de um site
Zero-dayExplora falha ainda desconhecida pelo fabricante
InternaInsiderPessoa de dentro abusa do acesso que já tem

🧪 Atividade 9: Detecte o phishing

  1. No exemplo “TrustedBank” acima, ache 3 sinais de fraude (dica: erros de escrita como “recieved” e “discrepency”, link genérico, urgência).
  2. Jogue o Quiz de Phishing do Google, acertou quantos dos 8 e-mails?
  3. Pegue um link suspeito (de um SMS/e-mail de golpe) e escaneie-o em VirusTotal, quantos antivírus o marcam como malicioso? (Cole a URL no VirusTotal; não clique no link.)

🛡️ Mecanismos de Defesa

Modelo "onion" da defesa em profundidade: os dados no centro, protegidos por camadas (aplicação → host → rede)

Defesa em Profundidade ( Defense in Depth)

Nenhuma proteção é perfeita. Por isso usamos várias camadas independentes: se uma falha, a próxima ainda segura o ataque. É o princípio do castelo medieval, fosso, muralha, portão, torre.

flowchart TD
    L1["👤 Camada Humana: conscientização e treino"] --> L2
    L2["🚪 Camada Física: acesso ao prédio, salas, racks"] --> L3
    L3["🌐 Camada de Rede: firewall, IDS/IPS, VPN"] --> L4
    L4["💻 Camada de Host: antivírus, patches, hardening"] --> L5
    L5["📦 Camada de Aplicação: validação, WAF, code review"] --> L6
    L6["🔐 Camada de Dados: criptografia, backup, acesso"]

Os controles de segurança se classificam de duas formas ao mesmo tempo:

Por naturezaExemplosPor funçãoExemplos
FísicoCatraca, cadeado, CFTVPreventivoFirewall, criptografia, treino
Lógico/TécnicoFirewall, antivírus, MFADetectivoIDS, log, alarme, antivírus
AdministrativoPolítica, norma, treinamentoCorretivoBackup, plano de recuperação

🧪 Atividade 10: Audite as camadas de defesa

  1. Camada de rede/aplicação: teste um site real em securityheaders.com e no Mozilla Observatory. Que nota ele tirou? Quais cabeçalhos de proteção faltam?
  2. Camada de host (sua máquina): verifique se o firewall está ligado, Linux: sudo ufw status · Windows (PowerShell): Get-NetFirewallProfile | Select Name,Enabled · Mac: Ajustes → Rede → Firewall. Está ativo?

📐 Frameworks e Normas

Você não precisa reinventar a roda

A comunidade já organizou as boas práticas em frameworks e normas. Conhecê-los é o que separa o amador do profissional.

NIST Cybersecurity Framework 2.0 (2024)

As 6 funções do NIST CSF 2.

As 6 funções (a versão 2.0 adicionou a "Govern")

Publicado pelo NIST (EUA) em fevereiro de 2024, organiza a segurança em seis funções contínuas. A grande novidade da 2.0 é a função Governar (Govern) no centro, segurança virou responsabilidade da alta gestão, não só da TI.

FunçãoO que cobre
🟡 Govern (Governar)Estratégia, papéis, políticas e risco de fornecedores (nova na 2.0)
🔵 Identify (Identificar)Conhecer ativos, riscos e o ambiente
🟣 Protect (Proteger)Controles de acesso, criptografia, treino
🟠 Detect (Detectar)Monitorar e perceber incidentes
🔴 Respond (Responder)Conter e tratar o incidente
🟢 Recover (Recuperar)Restaurar operação e aprender

Outras normas essenciais

Norma / LeiOrigemPara que serve
ISO/IEC 27001:2022InternacionalRequisitos de um SGSI (Sistema de Gestão de Segurança da Informação), base para certificação
ISO/IEC 27002:2022InternacionalCatálogo de controles práticos para implementar o 27001
CIS Controls v8EUA (CIS)Lista priorizada e prática de 18 controles essenciais
LGPD (Lei 13.709/2018)🇧🇷 BrasilObriga a proteção de dados pessoais, apoia-se na CID

ISO 27001 e LGPD andam juntas

Quem implementa os controles da ISO 27001 já atende boa parte das exigências da LGPD. Confidencialidade, integridade e disponibilidade são, ao mesmo tempo, princípios técnicos e deveres legais.

🧪 Atividade 11: Faça um checkup e mapeie no NIST

  1. Rode o Google Security Checkup (ou o equivalente Apple/Microsoft da sua conta). Ele revisa dispositivos, logins e permissões.
  2. Mapeie o que ele mostrou para uma função do NIST CSF 2.0: ver dispositivos conectados → Identify; ativar 2FA → Protect; alerta de login estranho → Detect.
  3. Corrija pelo menos uma recomendação que ele apontar, isso é Respond/Recover na prática.

🔄 Resposta a Incidentes

A pergunta não é "se", é "quando"

Nenhuma organização é 100% segura. Por isso existe um processo estruturado para quando o ataque acontece, baseado no NIST SP 800-61.

flowchart LR
    P["1️⃣ Preparação"] --> D["2️⃣ Detecção e Análise"]
    D --> C["3️⃣ Contenção"]
    C --> E["4️⃣ Erradicação"]
    E --> R["5️⃣ Recuperação"]
    R --> L["6️⃣ Lições Aprendidas"]
    L -.realimenta.-> P

🧪 Atividade 12: Execute a contenção

A primeira reação técnica a um host infectado é isolá-lo da rede. Pratique:

  1. Descubra como cortar a rede da sua máquina em 1 segundo e teste: Linux → nmcli networking off (religa com on) · Windows → modo avião ou Disable-NetAdapter -Name "*" · ou simplesmente tire o cabo / desligue o Wi-Fi.
  2. Com a rede cortada, rode ping 8.8.8.8. Falhou? Pronto: você conteve o incidente (o malware não fala mais com o atacante nem se espalha).
  3. Religue a rede e descreva qual seria a próxima fase (erradicação) nesse cenário.

🧪 Laboratório: coloque a mão na massa

Atividades práticas consolidadas

Faça pelo menos três destas. Todas usam ferramentas gratuitas e legais.

#PráticaFerramentaPilar/conceito
L1Verificar se seu e-mail vazouHave I Been PwnedConfidencialidade
L2Gerar e comparar hashes de um arquivoSHA-256 ChecksumIntegridade
L3Testar a força de uma senhasecurity.org/password-checkerAutenticação
L4Analisar um e-mail de phishing realPhishTankEngenharia social
L5Ver dados de um site (cabeçalhos de segurança)Security HeadersDefesa/Aplicação

Desafio para antes da próxima aula

Instale um gerenciador de senhas gratuito (ex.: Bitwarden) e migre pelo menos uma conta para uma senha forte e única gerada por ele. Quantos caracteres tem a nova senha? Traga um print do gerador (sem mostrar a senha real!).


❓ Quiz de Fixação

Teste seu entendimento

  1. Um hospital teve seus prontuários criptografados por ransomware e não consegue mais acessá-los. Qual pilar da CID foi violado? (E qual continua intacto?)
  2. Qual a diferença entre ameaça e vulnerabilidade? Dê um exemplo de cada.
  3. Por que aumentar a confidencialidade pode reduzir a disponibilidade? Dê um exemplo.
  4. O que a função Govern, nova no NIST CSF 2.0, mudou na forma de pensar segurança?
  5. Um hash serve para garantir qual pilar? Por quê?
  6. Cite dois controles para cada uma das três naturezas: físico, lógico e administrativo.
  7. Por que se diz que o ser humano é o elo mais fraco da segurança? Como a defesa em profundidade ajuda mesmo quando uma pessoa erra?

📚 Para Aprofundar

Materiais atuais e confiáveis (gratuitos)

Continue na disciplina

Esta base é aplicada e aprofundada no projeto-âncora da disciplina: Projeto GovSec. Os trabalhos e laboratórios estão em Trabalhos e Projetos de Segurança da Informação.

Créditos das imagens

Roda do NIST CSF 2.0 e exemplo de phishing “TrustedBank”: NIST / Wikimedia Commons (domínio público). Modelo onion de defesa em profundidade e imagem de abertura: Wikimedia Commons. Captura do mapa de ameaças em tempo real: Kaspersky Cyberthreat Map. Uso educacional em instituição pública de ensino.

Fecho

Segurança da informação não é um produto que se compra, é um processo que se mantém. Você acabou de montar o vocabulário e os princípios. A partir daqui, cada técnica que aprendermos vai se encaixar nesse mapa.